Descargas para o rio Vizela respeitam limites exigidos, diz Águas do Norte

Empresa a cargo da ETAR de Serzedo, regularmente acusada de descargas poluentes para o curso de água, indica que os parâmetros que tem de respeitar são diferentes dos que foram analisados pela Câmara Municipal de Vizela e divulgados na segunda-feira.

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paulo pimenta

A ETAR de Serzedo, no concelho de Guimarães, tem “cumprido integral e escrupulosamente os valores limite de emissão estabelecidos” relativamente às águas residuais despejadas para o rio Vizela, realça a Águas do Norte numa nota enviada ao PÚBLICO.

A afirmação da empresa de capitais maioritariamente públicos - a Águas de Portugal detém quase 69% das acções – surge depois de conhecidos os resultados de umas análises ao rio, pedidas pela Câmara Municipal de Vizela e consultadas pelo PÚBLICO, na segunda-feira. As bactérias analisadas - Enterococcus e Escherichia coli - estão dentro das quantidades consideradas aceitáveis a montante da ETAR, mas não no ponto de descarga e numa zona 200 metros a jusante.

Esses documentos indicam ainda que os valores limite são os de referência para a qualidade da água para uso balnear. A Águas do Norte defende, porém, no comunicado, que “não é correcto” comparar a “água residual tratada na ETAR” e a “água compatível com o uso balnear”. “Na zona de descarga de um efluente, não podemos medir parâmetros próprios de uma água para uso balnear”, explica o director de exploração da Águas do Norte, Pedro Bastos.

A ETAR de Serzedo, acrescenta a empresa, deve cumprir os valores de parâmetros como o pH (mede a acidez da água), a carência bioquímica de oxigénio (estima a quantidade de matéria orgânica biodegradável), as quantidades de azoto e de fósforo e ainda a cor da água. Várias das acusações dirigidas à Águas do Norte devem-se à tonalidade vermelha-acastanhada do rio. Esses indicadores constam do Título de Utilização de Recursos Hídricos, emitido pela Agência Portuguesa do Ambiente em 05 de julho de 2019, e são todos cumpridos, de acordo com uma tabela enviada ao PÚBLICO pela Águas do Norte. “Não podemos avaliar a qualidade da descarga segundo outros parâmetros que não os previstos no Título”, acrescenta Pedro Bastos.

A empresa refere ainda que é impossível “evitar em permanência a coloração da água” do afluente do rio Ave quando o seu caudal se encontra “muito reduzido”. A redução desse caudal é comum no Verão.

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