Agência da ONU contra ensaios nucleares registou explosão em Beirute

Especialistas referem que mistura de explosivos, eventualmente pirotécnicos, e uma grande quantidade de nitrato de amónio podem ter estado na origem da deflagração.

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A explosão terá tido origem num armazém de pirotecnia na zona portuária da capital libanesa Reuters/AZIZ TAHER
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Os edifícios nas imediações da explosão sofreram danos estruturais, como mostra a fachada deste prédio Reuters/AZIZ TAHER
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O porto, situado junto à baixa da cidade, ficou totalmente destruído Reuters/MOHAMED AZAKIR
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O armazém continha 2750 toneladas de nitrato de amónio, um componente químico utilizado no fabrico de foguetes e explosivos Reuters/AZIZ TAHER
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O exército foi convocado pelo governo local para ajudar nas operações de combate ao incêndio que deflagrou no local da explosão Reuters/ISSAM ABDALLAH
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Militares saíram à rua para ajudar nos trabalhos de limpeza e de resgate Reuters/AZIZ TAHER
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Os edifícios circundantes ficaram totalmente destruídos, dificultando as operações de resgate às equipas presentes no local EPA/WAEL HAMZEH
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Habitantes da cidade de Limassol, no Chipre, a cerca de 240 quilómetros do local da explosão, relatam ter sentido o abalo EPA/WAEL HAMZEH
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Testemunhas no local afirmam haver automóveis lançados para o topo de edifícios de três andares EPA/WAEL HAMZEH
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Até ao momento, não há registo de portugueses entre as vítimas da explosão Reuters/AZIZ TAHER
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Os soldados patrulham as ruas enquanto os trabalhos de limpeza e resgate decorrem na cidade Reuters/AZIZ TAHER
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Os populares tentam ajudar as autoridades na limpeza dos estragos causados pela explosão Reuters/AZIZ TAHER
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Existem danos em diversos edifícios e serviços da capital libanesa Reuters/AZIZ TAHER
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As causas do acidente ainda estão por apurar, mas investigações preliminares apontam para negligência Reuters/MOHAMED AZAKIR
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Estima-se que existam 4000 feridos, mas o real número de vítimas ainda não é claro Reuters/MOHAMED AZAKIR
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A explosão, que terá alastrado a um navio atracado no porto, teve origem no edifício ao centro da imagem EPA/WAEL HAMZEH
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Durante a manhã de terça-feira, ainda existiam alguns incêndios no local da explosão EPA/WAEL HAMZEH
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Diversos países já se disponibilizaram para disponibilizar ajuda médica e humanitária, incluindo a Turquia, que já colocou voluntários de uma ONG no terreno Reuters/IHH
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Os hospitais, que já se encontravam lotados devido à pandemia de covid-19, temem não ter capacidade para dar resposta às vítimas do acidente Reuters/IHH
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De entre os edifícios afectados, estão alguns hospitais, que foram evacuados, tendo alguns feridos sido tratados em parques de estacionamento da cidade Reuters/MOHAMED AZAKIR
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O custo total dos danos materiais causados pela explosão ainda está por apurar EPA/WAEL HAMZEH
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Os edifícios portuários foram os primeiros a sofrer com a onda de choque da explosão. Há, inclusive, relatos de navios que afundaram EPA/WAEL HAMZEH
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Também o Irão enviou ajuda humanitária através da ONG Crescente Vermelho, que colocou voluntários no terreno para ajudar as equipas no local Reuters/WANA NEWS AGENCY
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A República Checa enviou para Beirute membros de equipas de busca e salvamento Reuters/DAVID W CERNY
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As equipas checas são compostas por binómios cinotécnicos (humano + cão), e têm como objectivo ajudar a procurar vítimas nos escombros Reuters/DAVID W CERNY
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As operações de limpeza e salvamento nos escombros da explosão na zona portuária continuam EPA/NABIL MOUNZER
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A explosão fez com que habitantes da cidade ficassem desalojados EPA/NABIL MOUNZER
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Os habitantes dos bairros de Mar Mikhael e Gemayzeh, próximos da zona portuária, procuram, agora, realojar-se noutro local EPA/NABIL MOUNZER
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França é outro dos países a enviar ajuda humanitária para Beirute, com equipas de busca e salvamento, pessoal médico e material de primeiros socorros EPA/BERTRAND GUAY / POOL
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Na cidade, multiplicam-se os esforços populares para ajudar nas buscas EPA/NABIL MOUNZER
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Segundo os responsáveis libaneses, existem mais de 4000 feridos e 100 mortos. No entanto, estes números devem subir nas próximas horas EPA/NABIL MOUNZER
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A ONG iraniana Crescente Vermelho tem enviado ajuda humanitária para a região, à qual se junta, agora, o apoio do governo de Teerão EPA/STR
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O presidente iraniano, Hassan Rouhani, decidiu apoiar o Líbano e vai enviar mais ajuda humanitária para a região nas próximas horas Reuters/WANA NEWS AGENCY
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Também edifícios governamentais ficaram danificados, como o palácio presidencial e embaixadas de outros países em Beirute EPA/WAEL HAMZEH
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EPA/NABIL MOUNZER

A Organização do Tratado de Proibição de Ensaios Nucleares vai analisar os dados sobre a explosão de terça-feira no porto de Beirute que fez mais de 100 mortos e cuja intensidade foi registada pela rede de detecção internacional.

“As nossas equipas estão a estudar os dados”, disse à EFE Gill Tudos, porta-voz da Organização do Tratado de Proibição de Ensaios Nucleares (CTBTO, na sigla em inglês), um organismo das Nações Unidas com sede na capital austríaca. 

A detonação de grande intensidade foi registada pelo Sistema Internacional de Vigilância (SIV) da organização, uma rede mundial de instalações de vigilância sísmica, hidroacústica e de infra-sons. 

A rede tem como finalidade detectar possíveis explosões nucleares e obter provas da realização de ensaios ou testes e localiza também energia libertada por uma explosão, seja nuclear ou não, ou por um fenómeno natural ocorrido no subsolo, debaixo de água ou na atmosfera. 

De momento, tal como comunicou na terça-feira à noite o secretário-adjunto da CTBTO, Lassina Zerbo, através da rede social Twitter, os especialistas analisam sobretudo os dados captados nas estações localizadas na Alemanha e na Tunísia.

“O SIV detectou fortes sinais de uma grande explosão em Beirute” no dia 4 de Agosto de 2020 às 15h05 nas estações de infra-sons I48TU em Tunes e 126DE, Alemanha”, indicou Zerbo. “Os analistas continuam a verificar os dados. Os nossos pensamentos estão com as vítimas da explosão. Expressamos a nossa solidariedade para com o Líbano.”

Até ao momento não existem indícios de eventuais materiais nucleares, “nem parece provável”, disse o porta-voz. Mesmo assim, admitiu que a organização não está ainda em condições de afastar totalmente a eventualidade, porque a verificação da informação demora tempo, apesar de a detecção da explosão pela rede acontecer de forma imediata.

De acordo com o primeiro-ministro do Líbano, Hassan Diab, após uma reunião com o Presidente da República Michel Aoun, um carregamento de nitrato de amónio de 2.750 toneladas esteve na origem da explosão.

As primeiras imagens da explosão e da destruição causadas Carolina Pescada e Reuters

Especialistas referem que uma mistura de explosivos, eventualmente pirotécnicos, e uma grande quantidade de nitrato de amónio podem ter estado na origem da deflagração. Porém, não se sabe ainda qual foi a “fonte de ignição”, que pode ter sido, eventualmente, um incêndio que terá atingido os explosivos armazenados no porto de Beirute.

Com base nas imagens e na informação sobre o material depositado nos armazéns, especialistas indicam neste momento que pode ter sido “um acidente” sublinhando que a temperatura na capital libanesa era no momento da explosão superior a 30º centígrados.

O ministro do Interior libanês, Mohammed Fahmi, nas primeiras declarações a uma estação de televisão local não fez qualquer referência a explosivos ou material pirotécnico tendo mencionado as 2.700 toneladas de nitrato de amónio que estavam acumuladas no armazém das docas e que tinham sido confiscadas de um navio de carga em 2014.

Com base nos cadastros dos navios e nos calendários portuários, a Associated Press avança que o navio em causa pode ser o MV Rhosus, inicialmente apresado por Beirute em 2013 quando entrou no porto devido a problemas mecânicos. O MV Rhosus tinha partido da Georgia e tinha como destino Moçambique.

“Devido aos riscos associados relacionados com a concentração de nitrato de amónio a bordo do navio, as autoridades portuárias descarregaram o carregamento tendo sido colocado num armazém”, escreveram os advogados num artigo escrito em 2015 na publicação especializada em navegação shiparrested.com. 

“O navio e a carga continuam no porto, esperando por uma eventual venda em leilão ou outro destino”, refere o mesmo artigo.

Desconhece-se ainda a forma como se encontrava armazenada a carga na capital do Líbano, um país mergulhado em conflitos e que enfrenta uma profunda crise económica. 

De acordo com os repórteres da Associated Press, o local atingido pela explosão parece-se com a zona afectada pelo atentado de Oklahoma, em 1995, ou com uma explosão ocorrida no Texas, Estados Unidos, em 1947.

Ainda não se sabe onde e qual era o tipo de eventuais explosivos ou material pirotécnico que se encontravam supostamente no cais e que pode ser material geralmente usado para celebrações como casamentos ou acontecimentos religiosos no país. 

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