Camas feitas de ervas já eram usadas há 200 mil anos, mais tempo do que se supunha

Com ervas e cinzas, os homens pré-históricos da África do Sul terão criado uma cama cómoda e livre de pragas.

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Andreia Gomes Carvalho

Um estudo divulgado esta quinta-feira revela que o primeiro uso humano conhecido de camas de ervas remonta há pelo menos 200 mil anos, mais tempo do que se supunha anteriormente.

Uma equipa de investigadores da Universidade de Joanesburgo, na África do Sul, sustenta num artigo publicado na revista científica Science que os homens pré-históricos do sul do continente africano utilizaram uma mistura de ervas e cinzas para criar uma cama cómoda e livre de pragas há pelo menos 200 mil anos.

Até agora, o uso mais antigo conhecido de camas de plantas datava de há 77 mil anos, em que juncos, ervas medicinais e cinzas serviam para cobrir abrigos feitos de pedra.

Os vestígios que suportam o novo estudo foram descobertos na Gruta de Border, na província sul-africana de KwaZulu-Natal.

A jazida arqueológica contém um registo bem preservado de ocupação humana intermitente que abarca quase 230 mil anos, segundo os autores do estudo.

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Na esquerda, fragmentos de relva preservados numa cave na África do Sul. Na direita, imagens de microscópio desses mesmos fragmentos que permitiram descobrir os tipos de ervas utilizadas nas camas L. Wadley

Recorrendo a técnicas de microscopia e espectroscopia, o grupo de investigadores identificou na gruta marcas do que supõe serem camas feitas de ervas.

Os autores do trabalho referem que os habitantes da Gruta de Border terão utilizado molhos de ervas para criar uma cama. As ervas seriam depois colocadas sobre cinzas para se protegerem, por exemplo, de carraças.

Na cama mais antiga foram identificados vestígios de alcanforeira, uma planta aromática que era utilizada em África para repelir insectos.

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