investimento,politica,portugal,ministerio-negocios-estrangeiros,turismo,emirados-arabes-unidos,
O projecto inicial do Pavilhão Português, um dos 192 em exposição DR

Governo diz que corte de 8% no orçamento da Expo Dubai “não diminui ambição”

O impacto económico da pandemia no número de visitantes previstos para a exposição mundial obrigou ao Governo a rever o orçamento por “uma questão de rigor”. Mas a ambição será a mesma, garantem responsáveis.

O pavilhão de Portugal na Expo Dubai 2020, evento que estava agendado para 20 de Outubro deste ano e que a pandemia adiou, irá sofrer alguns cortes e adaptações. As mudanças, aprovadas no último Conselho de Ministros, foram publicadas em Diário da República na última quarta-feira e contemplam um corte de 8% no orçamento dedicado ao evento, o que corresponde a aproximadamente menos 1,6 milhões de euros de um total que não poderá ultrapassar os 21 milhões de despesa inicialmente estimados. Ao PÚBLICO, o secretário de Estado para a Internacionalização, Eurico Brilhante Dias, explica que houve “uma redefinição global da despesa, procurando ajustar o investimento com aquilo que vai ser esta exposição, que no contexto pós-covid-19 deverá ter menos visitantes” do que os 25 milhões de participantes estimados antes do surgimento do coronavírus. Já a ambição em relação ao projecto permanece intocável, garante o Governo.

Segundo o secretário de Estado, este corte no orçamento serve para que haja “rigor na gestão do dinheiro público”, atendendo ao esforço de “contenção de custos imposto pelas circunstâncias actuais”. “A Expo Dubai 2020 vai decorrer num quadro muito diferente do que aquilo que estava previsto. Na medida do que pudemos, fizemos um ajustamento orçamental porque temos de ser rigorosos com o investimento público”, diz ao PÚBLICO.

O evento adiado realizar-se-á entre 1 de Outubro de 2021 e 31 de Março de 2022, aproximadamente um ano depois da data prevista, e contará com 192 pavilhões nacionais. Para o Governo, este é “um investimento importante” e estratégico “nesta região do globo” e por isso “não foram feitas alterações substantivas” no programa cuja “ambição não diminui”.

Entre os cortes anunciados na resolução estão menos 500 mil euros para a verba destinada à Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) para a produção, montagem, manutenção e desmontagem dos conteúdos expositivos do Pavilhão de Portugal e cujo custo total desce agora para dois milhões de euros. Foi também ajustada a verba destinada à aquisição de serviços de gestão e funcionamento do Pavilhão de Portugal e de manutenção diária do espaço.

Questionado sobre a importância do evento, o secretário de Estado explicou que não se trata apenas de uma participação numa exposição, mas de uma estratégia de atracção de investimento para Portugal. “Queremos captar investimento estrangeiro numa região que é acumuladora de capital e que tem superavits importantes”. Eurico Brilhante Dias destaca que os Emirados Árabes Unidos são territórios “de oportunidades” para as exportações portuguesas “tendo em conta que o Dubai plataforma para muitas feiras com associações empresariais” da região.

PÚBLICO - O evento adiado realizar-se-á entre 1 de Outubro de 2021 e 31 de Março de 2022
O evento adiado realizar-se-á entre 1 de Outubro de 2021 e 31 de Março de 2022 DR
PÚBLICO - O evento adiado realizar-se-á entre 1 de Outubro de 2021 e 31 de Março de 2022
O evento adiado realizar-se-á entre 1 de Outubro de 2021 e 31 de Março de 2022 DR
Fotogaleria
DR

O pavilhão português terá uma promoção externa de vários sectores e “uma programação intensa” a nível cultural e empresarial, mas também tem razão político-diplomática, explica o secretário de Estado para a Internacionalização. “Portugal participará com três propósitos: atrair investimento, promover exportações e mostrar diplomaticamente a nossa presença”. “Os Emirados Árabes Unidos completam 50 anos em 2021. É uma data importante e oportunidade para Portugal estar presente”, defende. Eurico Brilhante Dias acrescenta que este é um “investimento que terá de ser prolongado no futuro e não um movimento de apenas de uma acção”.

Há dez anos, na última exposição universal em que o país participou, em Xangai, República Popular da China, o Governo investiu mais de 10 milhões de euros, um valor inferior aos 21 milhões de euros agora estimados para a Expo Dubai 2020. Mas dessa vez, Portugal não construiu um pavilhão de raiz. “Se excluirmos a construção do pavilhão, Portugal está a fazer um consumo de capital ligeiramente acima da Expo Xangai 2010”, precisou. “Pretendemos fazer um investimento que acompanhe a promoção da marca Portugal”, justificou.

Ao PÚBLICO, o comissário-geral escolhido para organizar o programa desta edição, Celso Guedes de Carvalho, explica que “os trabalhos preparatórios da participação de Portugal na Expo 2020 Dubai foram fortemente condicionadas pelo adiamento”. “Foi necessário equacionar novos cenários, rever prazos e, perante a grave situação económica gerada pela pandemia, reduzir custos”, conta Celso Guedes de Carvalho, ex-CEO da Portugal Ventures, sociedade gestora de fundos de capital de risco público.

O comissário-geral assinala que, a acompanhar a queda do número total de visitantes, a expectativa é que a percentagem de visitantes oriundos do médio oriente seja revista em alta, mas ainda assim antecipa dificuldades em relação ao volume de financiamentos. Celso Guedes de Carvalho admite “a existência de fortes condicionalismos no financiamento público e privado para a programação cultural e artística” o que trará também dificuldades para atrair apoios e parceiros para esta área.

Ainda assim e apesar da incerteza, Celso Guedes de Carvalho acompanha o optimismo do Governo sobre as oportunidades que a Expo 2020 Dubai poderá trazer para Portugal. “Tenho vindo a efectuar um conjunto de visitas de trabalho e contactos institucionais e sectoriais, com o objectivo de avaliar oportunidades que a Expo 20202 Dubai poderá representar para as empresas e entidades locais se promoverem e posicionarem, naquele que é o terceiro maior evento com impacto económico, cultural e científico à escala global”, conclui.

Sugerir correcção