Pandemia retém casal japonês em Cabo Verde há meses. Agora serão embaixadores do país nas Olimpíadas de Tóquio

Os viajantes estavam a realizar uma longa lua-de-mel à volta do mundo. A pandemia trocou-lhes as voltas e mudou-lhes o destino. Rikiya e Ayumi estão “muito orgulhosos” e no Japão vão ajudar a delegação cabo-verdiana a sentir-se em casa, “retribuindo a morabeza crioula”, como anuncia o Comité Olímpico cabo-verdiano.

olimpicos,toquio,fugas,jogos-olimpicos,cabo-verde,japao,
Foto
Cortesia Tokyo 2020/Rikiya Kataoka

A vida dá muitas voltas e as viagens ajudam a dar-lhe mais voltas ainda. É o que pensarão Rikiya e Ayumi Kataoka, um casal japonês que em 2019 decidiu fazer uma longa lua-de-mel. Pouparam e fizeram-se ao caminho: seria quase um ano a dar a volta ao mundo. Mas eis que, em Março, a pandemia os apanhou na ilha do Sal e ali os deixou, sem voos e com os planos estragados. 

Foram ficando e, durante cinco meses, dedicaram-se à morabeza cabo-verdiana, fotografando, filmando e divulgando nas suas redes sociais o país e, claro, tornando-se uma espécie de celebridades locais.

Chegados a Agosto, o Comité Olímpico Cabo-Verdiano decidiu que os Kataoka seriam ideais para, uma vez de volta ao seu país, retribuírem a hospitalidade: convidou-os para serem “embaixadores” da equipa do país nos Jogos Olímpicos de Tóquio, que deveriam ter-se realizado este ano mas foram adiados para 2021.

“O casal japonês será embaixador local em Tóquio”, refere o comité numa publicação no Facebook. Aí, os dois “irão ajudar a delegação cabo-verdiana” a sentir-se “em casa”. É “a chamada hospitalidade": irão assim “retribuindo a morabeza crioula que têm recebido desde a sua chegada a Cabo Verde”.

“Sentimos a necessidade de retribuir”, comentou à Reuters Leonardo Cunha, chefe da missão olímpica cabo-verdiana em Tóquio. “Sentimo-nos interessados em também acompanhar a odisseia deles e torná-los parte da nossa aventura no Japão, referiu.

“Estamos muito orgulhosos”, comenta por seu lado o casal japonês ao site oficial dos Jogos Olímpicos de Tóquio, onde mereceu um grande destaque há poucos dias.

Durante a sua longa estadia cabo-verdiana, os Kataoka tiveram de fazer pela vida. Com o orçamento a dar as últimas, conta Rikiya, 30 anos, viraram-se para o que sabiam e podiam fazer: filmar e promover locais, hotéis e restaurantes em troca de alojamento e comida.

“Costumo filmar voluntariamente restaurantes e hotéis”, conta, acrescentando que isso levou a que se recebesse encomendas de trabalho. A sua mulher, Ayumi, colaborava como modelo e também nos textos.

A aventura de ambos, naturalmente, vai tendo o seu impacto no Japão e é natural que a propaganda feita às maravilhas de Cabo Verde também venha a dar os seus frutos.

“Acreditámos realmente que este símbolo de amizade e hospitalidade de Cabo Verde, baseado no ideal olímpico, pode servir como um exemplo da importância global do movimento olímpico”, comenta Leonardo Cunha ao site dos Jogos Olímpicos de Tóquio.

Por outro lado, Cabo Verde nunca ganhou uma medalha olímpica. Participa nas Olimpíadas desde 1996 e na próxima edição espera enviar três ou quatro atletas. Será que desta vez, com a ajuda hospitaleira dos Kataoka, virá uma medalha para Cabo Verde?

Sugerir correcção