Fórum Médico recusa “alimentar confrontos que não servem os doentes”

A plataforma, que reúne as estruturas nacionais representativas dos médicos, também “repudia todas as tentativas de denegrir a imagem dos médicos”.

O bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, reúne-se nesta terça-feira, com o primeiro-ministro
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O bastonário da Ordem dos Médicos, Miguel Guimarães, reúne-se nesta terça-feira, com o primeiro-ministro Rui Gaudêncio

O Fórum Médico, composto por todas as estruturas nacionais representativas dos médicos, reuniu-se para debater a tensão que se tem vindo a avolumar em torno do que se passou no lar de Reguengos de Monsaraz e do papel dos médicos. Desse encontro resultou um comunicado no qual se lê que esta estrutura “repudia todas as tentativas de denegrir a imagem dos médicos, ainda mais quando as afirmações faltam à verdade sobre os acontecimentos, e recusa alimentar confrontos que não servem os doentes, desviam as atenções dos problemas e atrasam os investimentos e reformas de que o Serviço Nacional de Saúde efectivamente precisa com urgência”.

O clima de tensão em torno do que se passou no lar da Fundação Maria Inácia Vogado Perdigão Silva, onde um surto de covid-19 provocou a morte de 16 residentes, uma funcionária e um motorista da autarquia, tem vindo a escalar. O presidente da ARS do Alentejo, José Robalo, tem dito que ameaçou alguns médicos com processos disciplinares porque estes queriam “abandonar” os doentes do lar de Reguengos de Monsaraz. O bastonário da Ordem dos Médicos garante que nenhum médico de família se recusou a prestar apoio no lar.

Por isso, o Fórum Médico também “endereça uma palavra especial de solidariedade e agradecimento aos médicos de família e de saúde pública do Alentejo que prestaram cuidados médicos aos utentes do Lar da Fundação Maria Inácia Vogado Perdigão Silva, que mesmo em circunstâncias extraordinariamente difíceis, e sem abdicar de denunciar que os meios colocados à sua disposição no lar e no pavilhão não permitiam cuidar dos utentes com qualidade e dignidade, demonstraram um profissionalismo médico exemplar”. E “estende essa mesma solidariedade e agradecimento a todos os médicos portugueses, pela qualidade, diferenciação e humanismo com que exercem as suas funções em todos os momentos, muito em particular na pandemia”.

Tendo em conta que o primeiro-ministro e a Ordem dos Médicos se reúnem nesta terça-feira, o Fórum Médico adianta ainda que “respeitará as instituições e aguardará pelo final do encontro para uma pronúncia mais detalhada, o que não retira que o primeiro-ministro reafirme a sua total confiança, solidariedade e respeito por todos os médicos portugueses e em especial, nesta fase da pandemia, pelos que estão na linha da frente, seja a nível dos hospitais, centros de saúde, saúde pública, medicina do trabalho e lares”.

Fazem parte do Fórum Médico a Associação Nacional dos Médicos de Saúde Pública, a Federação Nacional dos Médicos, o Sindicato Independente dos Médicos, a Associação dos Médicos Portugueses da Indústria Farmacêutica, a Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar, a Federação Portuguesa das Sociedades Científicas Médicas, a Associação Portuguesa dos Médicos de Carreira Hospitalar, a Ordem dos Médicos, e a Associação Nacional de Estudantes de Medicina.

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