Morreu Francisca Abreu, a “alma mater” de Guimarães Capital Europeia da Cultura

Antiga vereadora da Cultura em Guimarães morreu nesta quarta-feira, aos 66 anos. Ex-presidente da Câmara, António Magalhães, considera que a sua acção foi decisiva para a cidade ser Capital Europeia da Cultura, em 2012.

Francisca Abre, de Vermelho, no encerramento da Capital da Cultura, em 2013
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Francisca Abreu, de vermelho, no encerramento da Capital da Cultura, em Dezembro de 2012 Rui Farinha

Vereadora da Câmara Municipal de Guimarães entre 1998 e 2013, com os pelouros da Cultura e da Educação, Francisca Abreu morreu, nesta quarta-feira, no Hospital da Senhora da Oliveira, em Guimarães, aos 66 anos. Integrou os executivos municipais liderados por António Magalhães aquando da classificação do centro histórico vimaranense como Património Mundial da UNESCO, em 2001, e da Capital Europeia da Cultura (CEC), em 2012, tendo desempenhado um papel decisivo nesse último projecto.

“Foi uma vereadora impecável e uma mulher cultíssima. Apanhámos um choque tremendo. Ela foi a alma mater da Capital Europeia da Cultura”, diz ao PÚBLICO António Magalhães, presidente da Câmara entre 1989 e 2013. O ex-autarca socialista lembrou que coube a Francisca Abreu conduzir todo o processo relacionado com a CEC, incluindo o “estreitar de relações” com a Fundação Cidade de Guimarães (FCG), após o conflito verificado entre António Magalhães e a presidente da FCG, Cristina Azevedo, que deixou o cargo em Julho de 2011. “Se não fosse ela a agarrar o processo e a estabelecer pontes, nunca teríamos conseguido a dimensão e a qualidade acima da média da CEC”, recorda.

António Magalhães lembrou ainda que Francisca Abreu era regularmente convidada para reuniões com um “grupo de especialistas da cultura” a nível europeu, sobretudo depois de 2012, e enalteceu o seu papel na dinamização cultural de algumas das praças da cidade, quando o processo de requalificação do centro histórico, conduzido pelo arquitecto Fernando Távora, estava ainda em curso. “Ela tinha a percepção clara de que, não tendo nós, na altura, salas especiais para podermos ter espectáculos de grande qualidade, poderíamos tê-los nas praças reabilitadas”, disse.

A Câmara de Guimarães já endereçou, em comunicado, as “mais sentidas condolências” à família de Francisca Abreu e decretou dois dias de luto municipal. Natural de Vilarinho, freguesia do concelho de Santo Tirso fronteira ao concelho de Guimarães, Francisca Abreu frequentou o ensino secundário no então Liceu Nacional de Guimarães (hoje Escola Secundária Martins Sarmento), e, na década de 70, a Universidade de Coimbra, onde foi activista estudantil.

Licenciada em Filologia Germânica, regressou à escola onde fez o ensino secundário em 1982, como professora. E assumiu o cargo de Presidente do Conselho Executivo entre 1987 e 1998, ano em que se tornou vereadora no município.

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