DGS diz que só muda norma de isolamento para crianças se tempo de incubação diminuir

Graça Freitas disse esta quarta-feira que a única coisa que poderá ser alterada tem a ver com as condições de conforto do isolamento. O Instituto de Segurança Social tinha garantido ao PÚBLICO que a norma estava em processo de actualização, prevendo-se “sua publicação em breve”.

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LUSA/TIAGO PETINGA

A directora-geral da saúde, Graça Freitas, e a ministra da Saúde, Marta Temido, não estão dispostas a alterar a norma que obriga crianças em perigo que são retiradas às famílias e vão para casas de acolhimento a ficar em isolamento durante 14 dias, mesmo com um teste negativo à covid-19.

Um dia depois de o Instituto de Segurança Social (ISS) garantir ao PÚBLICO que “a orientação técnica 009/2020 encontra-se em processo de nova actualização, estando a ser revista na sua generalidade, prevendo-se a sua publicação em breve” e que estava em “articulação com a DGS para salvaguardar, em orientação, entre outras, as questões específicas em matéria de acolhimento de crianças e jovens em perigo”, Graça Freitas veio explicar o que realmente pode ser revisto. E não é o isolamento de 14 dias.

“Estamos a rever a norma no sentido de perceber se há neste momento estudos ou evidência que permitam reduzir este período [de 14 dias].” Se não houver essa evidência, garante a directora-geral da Saúde, “esta regra não se poderá alterar”.

O que estará mesmo a ser revisto são as condições em que se fará esse isolamento, garantem Graça Freitas e Marta Temido. “A revisão pode passar pelo lado de o isolamento se fazer com condições para que as pessoas não se sintam abandonadas”, explicou Graça Freitas.

Marta Temido interveio logo a seguir para garantir que “isolamento não é abandono”. E acrescentou: “Isto não significa que as pessoas  sejam postergadas para local onde não são vistas, nem cuidadas, nem tratadas, nem acarinhadas. É quanto a isso que se impõe um conjunto de medidas para proteger uns e outros numa fase vulnerável.”

A mesma expressão foi usada por Graça Freitas. “Isolar não é abandonar. Uma pessoa isolada não é uma pessoa abandonada. Seja em instituições para crianças, seja em instituições para idosos.” Daqui se percebe que a ideia da DGS e do Ministério da Saúde é continuar a tratar estas instituições da mesma forma, alberguem elas a população de maior risco e com vulnerabilidades ou crianças saudáveis.

Porque de instituições se trata: “Quem está numa instituição vive isolado do exterior e está protegido. A hipótese de entrar um vírus dentro dessa instituição vem de fora”, explicou Graça Freitas, reafirmando que a medida de isolamento, que não prevê alterar “em breve” tal como afirmava o ISS, existe para "evitar introduzir o vírus dentro de uma bolha que está protegida”.

com José Volta e Pinto