CDS e JSD criticam orientações da DGS para desportos colectivos

O CDS critica igualmente “que o regresso às aulas ocorra sem desporto e o Inverno sem actividade física”.

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CDS acha “inadmissível que apenas dos escalões séniores possam retomar” actividade desportiva Rui Soares (colaborador)/Arquivo

O CDS-PP criticou esta quinta-feira as orientações para a prática de modalidades desportivas colectivas, considerando “inadmissível que apenas dos escalões séniores possam retomar” e defendendo que “a saúde física e mental” dos jovens “reclama a retoma do desporto”.

Numa nota enviada às redacções, a porta-voz do partido, Cecília Anacoreta Correia, “repudia as orientações” da Direcção-geral da Saúde (DGS) e considera “inadmissível que apenas os escalões seniores possam retomar modalidades como futebol, andebol, voleibol, basquetebol, rugby”.

O CDS critica igualmente “que o regresso às aulas ocorra sem desporto e o Inverno sem actividade física, num país em que o desporto escolar tem uma fraquíssima implantação”, e defende que “o desporto estimula as defesas imunitárias e cria hábitos de vida que são fundamentais no desenvolvimento saudável e equilibrado dos jovens”.

“Depois do confinamento e isolamento social experimentados, a saúde física e mental das nossas crianças reclama a retoma do desporto. Proibi-lo ao mesmo tempo que se permitem eventos culturais e políticos, como a Festa do Avante, é incompreensível e um atentado contra a saúde física e mental das novas gerações”, salienta Cecília Anacoreta Correia.

O partido apela ao Governo que “intervenha urgentemente nesta matéria, instando a DGS a rever as orientações referidas em diálogo com a Confederação do Desporto de Portugal, permitindo um regresso em segurança da actividade desportiva por parte das camadas jovens”.

O CDS pede também ao executivo liderado pelo socialista António Costa que “não ignore completamente o desporto para deficientes, como aconteceu desta vez, onde não se lê uma única recomendação dirigida a qualquer modalidade adaptada”.

Na óptica da porta-voz dos democratas-cristãos, “proibir as camadas jovens de regressar aos treinos e às competições é pôr em causa a subsistência de muitos clubes desportivos e suas escolas de formação, é desfazer equipas e sonhos de futuros campeões” e “é remeter os jovens para uma existência entre portas e para actividades passivas, cujos efeitos negativos (agressividade, obesidade, e outros) estão sobejamente identificados”.

JSD acusa Governo de “grande insensibilidade"

Também a Juventude Social-Democrata (JSD) acusa o Governo de “grande insensibilidade” nas regras para a retoma do desporto jovem no âmbito da pandemia de covid-19, considerando que revelam “um total desconhecimento” dessa realidade em Portugal. Em comunicado e numa pergunta dirigida ao Governo entregue na Assembleia da República, os deputados sociais-democratas Alexandre Poço, líder da JSD, Margarida Balseiro Lopes, Hugo Carvalho e Sofia Matos consideram que “existe uma dualidade de critérios” e uma violação do princípio constitucional da igualdade ao permitir-se “a retoma imediata dos escalões seniores, mas impedindo os restantes”.

Para o presidente da JSD, não existe “critério material que justifique a discriminação etária de que são alvo os jovens portugueses praticantes de desporto nos escalões não contemplados”.

Por outro lado, a JSD refere que “são negligenciadas por completo a modalidades adaptadas, ignorando o desporto para pessoas com deficiência, não sendo possível vislumbrar, ao longo de todo o documento, uma única referência a esta prática desportiva”. Para a JSD, estrutura autónoma do PSD, as exigências apresentadas às Federações, Clubes e praticantes “são impraticáveis para muitos clubes, que se vêem agora obrigados a suportar sozinhos todos estes encargos”.

“Muitos clubes, cuja sustentabilidade está em grande parte dependente dos escalões da formação, ficam assim em risco de encerrar. O governo tem de apresentar alguma resposta”, defende Alexandre Poço, em comunicado.

Entre as exigências, aponta a JSD, estão a criação de um plano de contingência, assinatura de um Código de Conduta/Termo de responsabilidade, garantia de todos os equipamentos de protecção individual necessários aos funcionários e colaboradores, assunção do risco de contágio por parte dos atletas, a realização de testes à covid-19 até 48 horas antes da competição nas modalidades qualificadas como sendo de alto risco, casos do râguebi, o judo, o pólo aquático e a ginástica acrobática.

No Parlamento, os quatro deputados do PSD entregaram uma pergunta dirigida ao secretário de Estado para o Desporto e Juventude, João Paulo Rebelo, na qual questionam “qual o critério material que justifica a discriminação de milhares de jovens que ficam privados da sua prática desportiva”. “Que repostas dá o Governo aos jovens portugueses praticantes de modalidades adaptadas?”, perguntam ainda os sociais-democratas. Os deputados do PSD querem ainda saber como é que o Governo pretende apoiar os clubes que, “estando maioritariamente dependentes dos escalões da formação, ficam privados de grande parte das suas fontes de receita”.

A DGS actualizou na terça-feira as normas para a retoma das competições de modalidades desportivas colectivas, incluindo o râguebi e os desportos de contacto no grupo de alto risco. A actualização das normas permite a retoma de modalidades como o futebol não profissional, andebol, futsal, basquetebol, voleibol e hóquei em patins, encarregando as federações e os clubes de avaliarem o risco de contágio pela covid-19 e de “elaborar um regulamento específico para a prática desportiva, em contexto de treino e em contexto competitivo, de acordo com a estratificação de risco da modalidade”.

Além do râguebi, estão incluídos no grupo de alto risco de contágio, os desportos de contacto, entre os quais o judo, e modalidades como o pólo aquático e a ginástica acrobática.

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