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Pára de te comparar com os outros. A vida alheia não é assim tão incrível

Os conteúdos publicados, na sua maioria, são cuidadosamente editados para comunicar uma ideia de perfeição. Estão cheios de filtros: não apenas os que tornam as imagens mais atraentes, mas aqueles que deixam a “parte ruim” de fora.

As pessoas estão a ver o que publicas nas redes sociais, mesmo que não gostem, comentem ou compartilhem. Estão sempre de olho, observando, “dando apenas uma espiadinha”. Estão a julgar, estabelecendo juízos de valor e, principalmente, comparando-se. É provável que também estejas na mesma sintonia. Este texto, porém, é um convite. E um manifesto, ao mesmo tempo. Um convite para que voltes à tua essência. Um manifesto para que te rebeles contra uma vida que não é a tua. O insight veio de uma entrevista a que assisti no YouTube, em que a filósofa Ayn Rand e o apresentador Tom Snyder conversavam sobre o que ela chamou de “a era da inveja”.

Ayn Rand foi uma autora norte-americana de origem judaico-russa, nascida em 1905 e conhecida principalmente por romances, como A Revolta de Atlas, e também por desenvolver um sistema filosófico chamado objectivismo. Ela acreditava que o indivíduo nasce livre, que pode fazer o que bem quiser da própria vida, e que nem o Estado, a política ou a religião podem obrigá-lo a abrir mão dos seus direitos em favor de um suposto bem comum.

Na entrevista, exibida ao vivo em Julho de 1979 durante o programa Tomorrow Show with Tom Snyder, Rand afirmou que considerava imoral uma pessoa ser atacada não pelos seus erros, mas por exercitar os próprios talentos, trabalhar duro e por ter ambição. Para ela, é obsceno alguém ser injuriado por conquistar sucesso ou algo que possua um valor real. Na sua opinião, isso tinha um nome: inveja. 

Faz parte da natureza de alguns seres humanos a cobiça do que é alheio, sobretudo desejar que o outro não tenha êxito (existem diversos cases nas esferas pessoal e profissional). Segundo uma conhecida investigação do Instituto Nacional de Ciência Radiológica, em Tóquio, quando esse sentimento aparece o cérebro activa a mesma região em que as dores física e emocional são processadas. Ou seja: a inveja, literalmente, dói. Veja: 

Se alguns sempre tiveram essa predisposição, imagine-se agora, em plena era dos ecrãs, com a popularização das redes sociais. A pandemia de covid-19, com os indivíduos confinados (e consumindo mais e mais conteúdos online), apenas endossou esta tendência. De acordo com outro estudo, realizado pelo American Journal of Preventive Medicine em parceria com a Universidade de Pittsburgh, o uso constante das redes sociais pode, sim, ocasionar sensação de inveja. Ver uma espécie de vida perfeita compartilhada por pessoas conhecidas, segundo a investigação, pode levar a uma inevitável comparação com a própria vida e a uma consequente sensação de frustração. 

Não há dúvidas de que as redes sociais têm o poder de conectar pessoas e promover os negócios e a socialização – está no próprio nome. Elas também são excelentes plataformas para o fomento de novas ideias, para a divulgação pessoal e para o crescimento profissional. No entanto, os conteúdos publicados, na sua maioria, são cuidadosamente editados para comunicar uma ideia de perfeição. Estão cheios de filtros: não apenas os que tornam as imagens mais atraentes, mas aqueles que deixam a “parte ruim” de fora.

Mas, reforço o convite/manifesto acima: não vale a pena comparar. Trilha o teu próprio caminho e aprende a valorizar as tuas conquistas. Sê optimista. Não percas tempo sentindo pena de ti próprio e não dês a ninguém, jamais, o poder sobre as tuas escolhas. A era da inveja está aí, mas não precisas ser parte dela - pelo contrário. O mundo merece saber quem tu és e o que podes oferecer de melhor. Brilha.

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