Mais mortes nas praias numa época balnear encurtada pela pandemia

A um mês do fim da época balnear no país, já morreram mais pessoas nas praias do que em toda a época balnear de 2019. No que diz respeito à pandemia, os portugueses “acataram bem” as medidas e recomendações, reconhece a Autoridade Marítima Nacional.

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daniel rocha

A um mês do encerramento da época balnear em todo o país, a 15 de Outubro, uma boa parte das praias portuguesas já não se encontra vigiada de forma permanente, com excepção para algumas praias do Centro e das zonas do Tejo e Oeste. Num ano em que a pandemia condicionou a actividade e acabou por encurtar a época balnear, registaram-se mais mortes nas zonas costeiras.

A porta-voz da Autoridade Marítima Nacional, a comandante Nádia Rijo, disse esta segunda-feira ao PÚBLICO que houve até agora 12 mortes confirmadas em praias durante a época balnear que este ano, de forma excepcional, se iniciou a 6 de Junho. Se este tivesse sido um ano normal, com a época balnear a começar a 1 de Maio e a prolongar-se até 15 de Outubro, os números seriam mais elevados: 18 mortes registadas até agora nesse período. 

As seis mortes adicionais aconteceram em Maio, em praias marítimas fora da época balnear e, por isso, não vigiadas à data dos acidentes. Destas ocorrências, a AMN dá conta de três afogamentos e um óbito por morte súbita. A causa da morte das outras duas vítimas, numa ocorrência na praia da Prainha, em Portimão, é considerada desconhecida, sendo que o PÚBLICO noticiou, em Maio, tratar-se do afogamento de dois homens um com 65 anos e de outro com 25, que entrou no mar para salvar o primeiro.

A AMN regista ainda outras duas vítimas mortais em zonas marítimas não vigiadas: uma no Porto de Santa Cruz das Ribeiras, na ilha do Pico, e um jovem de 13 anos que se afogou na Ponta dos Corvos, Seixal, uma praia fluvial não vigiada do rio Tejo.

O número total de mortes fixa-se assim em 20 até ao momento, sendo já mais elevado do que o registo da AMN para toda a época balnear de 2019, quando se registaram 19 acidentes mortais.

Também se verificaram aumentos no número de salvamentos: até este domingo, foram realizados 552, mais 50 do que em toda a época balnear de 2019. Foram ainda feitas 1045 acções de primeiros socorros até agora, mais 259 do que as 786 levadas a cabo no ano anterior.

Sem comentar os números, uma vez que ainda são “um ponto de situação, porque o balanço será apenas feito quando a época balnear terminar a 15 de Outubro”, a comandante Nádia Rijo realça que há pontos positivos no que diz respeito às “medidas e recomendações face à situação pandémica”.

“O nosso balanço é positivo”, afirmou a porta-voz da autoridade em relação ao que foi “o comportamento cívico dos portugueses”. “De um modo geral, as pessoas acataram bem as regras implementadas e foi possível termos alguma tranquilidade na época balnear no que diz respeito às medidas da DGS.”

Época balnear terminou em algumas praias, mas o trabalho não pára

Numa altura em que as praias do Norte já cessaram a sua vigilância, à semelhança da maioria das do Centro e de algumas de Tejo e Oeste, a comandante reconhece que a Autoridade Marítima Nacional está a acompanhar de perto o que se passa nas praias, numa altura em que o sol e as temperaturas altas ainda levam as pessoas aos areais. O dispositivo da AMN vai manter-se todo em funcionamento até 15 de Outubro, nomeadamente os projectos SeaWatch e Praia Segura, mas isso não basta.

“Apesar de não substituir o nadador salvador, a vigilância monitorizada permite-nos, de alguma forma, tentar colmatar esta lacuna até ao final da época balnear”, admite, acrescentando que, para além da continuidade dos dispositivos, “vai ser feito um reforço de vigilância apeada nas praias”. Nádia Rijo apela também ao cuidado e atenção de quem se dirigir às praias que não são vigiadas.

“Há alguns cuidados acrescidos, tentaremos dentro dos possíveis sensibilizar as pessoas para os cuidados a ter quando se dirigem às praias. Todo o cuidado é pouco e iremos sempre fazer o acompanhamento da melhor forma possível, ajustando o dispositivo em função daquilo que se antevê que seja a afluência às praias ou de ocorrências que possam surgir”, explicou.

Neste sentido, a capacidade de garantir este acompanhamento foi melhorada desde o ano passado. “Um grande incremento que se fez nesta época balnear foi a georreferenciação e a monitorização de todo o dispositivo em tempo real, o que nos permite que, sempre que se verifique uma ocorrência, seja possível em tempo real dar uma resposta dinâmica”, sublinhou a comandante, relatando que este ano esta nova ferramenta já permitiu “a alocação de meios para zonas ou praias que não são vigiadas”.

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