Opinião

Os unicórnios

Portugal deveria proporcionar melhores condições para o surgimento de mais unicórnios, bem como tudo fazer para não as deixar sair para o estrangeiro, tal como acontece com França ou Alemanha.

Para além de serem figuras mitológicas, em gestão um unicórnio é uma startup cuja capitalização bolsista – ou em que outros investidores acreditam – atinja o valor de mil milhões de dólares. Apesar de qualquer empreendedor de uma startup ter a ambição de ter um unicórnio, são poucos os que conseguem atingir tal distinção.

De acordo com a última atualização, existem no mundo 493 startups que atingem no mínimo tal valorização, sendo que 228 têm a sua sede nos Estados Unidos, 122 na China, 25 no Reino Unido e 21 na Índia. Em Portugal já existiram três (Farfetch, Outsystems e Talkdesk), sendo que atualmente nenhuma delas mantém a sua sede em Portugal, apesar de terem no nosso país alguma atividade.  Em conjunto, estas 493 startups estão valorizadas em cerca de 1500 mil milhões de dólares, ou seja, mais de seis vezes o PIB português.

Apesar da nova economia potenciar bens e serviços de proximidade, onde pequenas e médias empresas desempenham um papel fundamental, a dimensão das empresas neste caso é importante, pois passam para o exterior uma imagem de modernidade do país, que potencia a criativade e modelos de negócio disruptivos.

Mesmo sendo modelos de negócio expostos à concorrência global e de nos primeiros anos de vida terem elevadas taxas de mortalidade, as startups são importantes, pois sem a sua existência é mais difícil obter progressos nas novas tecnologias. São empresas da nova economia que trabalham para a economia real, a uma escala planetária e que atingem estatuto de mito.

As startups que se tornam unicórnios apostam fortemente na segmentação, o cliente está sempre como prioridade, quer seja antes do processo, durante este ou no pós-venda. Nascem com uma mentalidade global, em que a internacionalização já é um dado adquirido. Os seus modelos de negócio são escalonáveis e os seus perfis profissionais são diversificados em termos culturais, o que facilita a construção de ideias disruptivas. Valorizam o talento e a criatividade e os seus líderes têm mentes energéticas e são altamente empreendedores.

Estas empresas trabalham em setores tão diversificados como o desenvolvimento de software, comércio eletrónico dirigido ao consumidor (B2C), tecnologias de apoio a serviços financeiros, saúde, inteligência artificial, turismo, etc. O seu surgimento e ascensão é muitas vezes considerado como um termómetro do crescimento económico futuro.

Os unicórnios já mudaram a forma como as pessoas encomendam comida, trabalham ou compram bens e serviços, sendo que o seu crescimento galopante já deixou marcas de rutura e de inovação significativas, afetando a forma como muitos setores e empresas tradicionais operam, sendo os millennials o principal alvo, que depois criam disrupção em toda a sociedade.

Portugal deveria proporcionar melhores condições para o surgimento de mais unicórnios, bem como tudo fazer para não as deixar sair para o estrangeiro, tal como acontece com França ou Alemanha, mas com o cuidado de não se cair noutra bolha tecnológica como a que ocorreu em 2000.

O autor escreve segundo o novo acordo ortográfico

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