Presidentes de junta repudiam iniciativa que evitou abate de árvores no Cabedelo

Autarcas de três freguesias referem que os moradores que impediram o abate de 20 árvores, previsto para a construção de uma rotunda enquadrada no novo acesso entre o porto de mar e a A28, estão a “prejudicar desenvolvimento económico da região”.

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É com repúdio que os presidentes das juntas de freguesia de Vila Nova de Anha, de Chafé e de São Romão de Neiva, todas elas situadas na margem sul do rio Lima e contempladas pelo novo acesso de 8,8 quilómetros entre o porto de mar de Viana do Castelo e a A28, olham para a iniciativa que impediu o abate de cerca de 20 dos 170 plátanos da avenida do Cabedelo, na freguesia de Darque, na manhã de segunda-feira. Graças a um embargo extrajudicial, a Associação de Moradores do Cabedelo travou a intervenção municipal que visa a construção de uma rotunda no local, mas os autarcas das outras freguesias contempladas pela nova via mostram-se desagradados com a suspensão da obra e pedem a sua retoma com a “máxima urgência”, numa nota enviada às redacções nesta terça-feira.

“As juntas cujas populações serão servidas directamente pelos novos acessos vêm publicamente repudiar a iniciativa de alguns moradores do Cabedelo, em Darque, em interromper a última fase de construção daquela via fundamental para Viana do Castelo”, lê-se na nota assinada pelo autarca socialista de Vila Nova de Anha, Filipe Silva, e pelos independentes de Chafé, António Lima, e de São Romão de Neiva, Manuel Salgueiro.

Para Manuel Salgueiro, responsável por uma freguesia com um parque industrial, onde o novo acesso se une à A28, a nova via é uma “alavanca económica” não só para as localidades que atravessa, mas também para parque industriais como o de Lanheses, também no concelho de Viana, onde se produzem pás eólicas, por exemplo. “Os camiões têm de as transportar para o porto de mar e, sem aquele acesso, é quase impossível fazer esse transporte”, afirma ao PÚBLICO. O autarca considera que os moradores do Cabedelo estão a “prejudicar o desenvolvimento económico da região”, nomeadamente o de Darque, a seu ver a “freguesia mais beneficiada” pela obra, face à esperada remoção do tráfego rodoviário da Estrada Nacional 13.

As juntas de freguesia vincam ainda, na nota emitida, que o traçado da nova via foi “discutido em tempo útil” e “devidamente aprovado” pela Câmara Municipal de Viana do Castelo, pela Assembleia Municipal de Viana do Castelo e pelas assembleias de freguesia envolvidas.

PCP pede reavaliação

O assunto vai ser discutido na reunião extraordinária do executivo municipal, agendada para as 15h de sexta-feira, e a Organização Regional de Viana do Castelo do PCP, partido que lidera a freguesia de Darque e que apoia a iniciativa dos moradores do Cabedelo, quer uma reavaliação do traçado da nova via. “A Câmara Municipal nunca teve uma oportunidade tão boa para colocar os problemas inerentes a este empreendimento na mesa e superá-los. Há que reconhecer que as objecções ao projecto são justas e ver como melhorar a situação”, refere a nota enviada às redacções nesta terça-feira.

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