João Medeiros diz que MP usou email roubado à PLMJ no processo EDP

Advogado diz que o email publicado no blogue “Mercado de Benfica” era citado em nota de rodapé num documento do processo das rendas da EDP.

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Rui Gaudencio

O advogado João Medeiros, actualmente advogado na Vieira de Almeida, diz que o Ministério Público terá citado um email roubado à PLMJ e publicado no blogue “Mercado de Benfica” em nota de rodapé numa contestação que consta do processo das rendas excessivas da EDP.

Neste processo, João Medeiros representa o presidente da EDP, António Mexia, e o presidente executivo da EDP Renováveis, João Manso Neto. O email em causa foi trocado entre Medeiros e o advogado Ricardo Sá Fernandes, que defende Manuel Pinho, antigo ministro da Economia e também arguido neste caso.

À saída do tribunal, João Medeiros não quis prestar declarações adicionais sobre esta nota de rodapé, usada pelo advogado para explicar o impacto que estas revelações, que remontam a final de 2018, ainda têm na sua vida. “Foram momentos muito difíceis. Em primeiro lugar, tinha a noção de que era o meu computador que tinha sido trespassado. Todos os meus emails foram divulgados. Vivi num sobressalto constante”, contou o advogado, que adiantou ainda que recorreu aos serviços de uma psicóloga devido à ansiedade provocada pela situação.

João Medeiros está a ser ouvido no processo Football Leaks, onde Rui Pinto é acusado de 90 crimes. O advogado fez parte da PLMJ, sociedade de advogados que foi alvo de um ataque informático e viu a sua correspondência electrónica publicada no blogue Mercado de Benfica, cuja autoria o Ministério Público imputa a Rui Pinto.

João Medeiros analisou os ficheiros que as autoridades encontraram nos discos rígidos apreendidos a Rui Pinto na Hungria, reconhecendo vários documentos que foram publicados no blogue Mercado de Benfica. A procuradora Marta Viegas mostrou depois outros documentos da PLMJ que, apesar de não terem sido publicados nesta página, estavam na posse de Rui Pinto. “Sim, reconheço este documento e estava no meu computador”, respondeu o advogado em alguns destes casos. 

Os documentos em causa mostravam os bastidores dos processos mais mediáticos, tal como a Operação Marquês, o caso dos Vistos Gold e, no desporto, casos ligados ao Benfica, como, por exemplo, o E-Toupeira. A correspondência em causa dizia respeito a informação trocada entre advogados e clientes e outros elementos processuais.

Mais para o final do depoimento, João Medeiros relembrou um telefonema com um “indicativo de um país de Leste” no dia 31 de Dezembro de 2018. “Foi na noite de passagem de ano, um homem a falar inglês com um sotaque a rir-se e a dizer para ter um bom ano de 2019”, afirmou.

Já no final da sessão, Francisco Teixeira da Mota, advogado de Rui Pinto, questionou se o país de Leste de que Medeiros falava poderia ser a Roménia – e não a Hungria, onde o denunciante vivia à altura dos factos. “Sim, penso que sim. Eu atendi de imediato porque tive uma empregada doméstica romena durante muitos anos que ajudou, em parte, a criar o meu filho mais velho, portanto ficou essa afinidade [com a família]. Em datas especiais, como aniversários, ela liga e eu atendi a pensar que era ela”. Já sobre se o sotaque destacado pelo advogado também poderia pertencer a um cidadão romeno, João Medeiros não respondeu com certeza. 

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