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Fumo dos incêndios no Pantanal obriga avião de Bolsonaro a abortar aterragem

Bolsonaro encontrou-se com representantes da indústria agrícola e rejeitou as críticas à gestão ambiental do seu Governo.

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Os incêndios estão a destruir o Pantanal, um bioma único no mundo Reuters/AMANDA PEROBELLI

O avião que transportava o Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, para uma visita ao Mato Grosso foi obrigado a suspender a primeira tentativa de aterragem por causa da visibilidade reduzida causada pelo fumo dos graves incêndios que desde o início do mês consomem o Pantanal.

Quando se preparava para aterrar no aeroporto de Sinop, no Mato Grosso, o avião que transportava a comitiva presidencial teve de voltar a subir. À segunda tentativa, tudo correu dentro da normalidade, diz o site G1.

Em declarações logo após aterrar, Bolsonaro disse simplesmente que “a visibilidade não estava muito boa”. A origem do problema são os grandes incêndios que estão a destruir o Pantanal, um bioma único considerado Património Natural Mundial pela UNESCO.

Em apenas metade do mês, este já é o Setembro em que foram registados mais incêndios desde que o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) reúne estes dados. Foram detectados 5603 focos de incêndio desde o início do mês, enquanto em 2007 – o pior ano das últimas duas décadas – foram identificados 5498 no mês inteiro.

O fogo tem destruído não só a vegetação e árvores do Pantanal, como é responsável pela morte de centenas de animais, alguns dos quais ameaçados, como o jaguar, conhecido no Brasil como onça-pintada. O Parque Estadual Encontro das Águas já foi quase destruído por inteiro, diz o G1. Vários povos indígenas também estão ameaçados.

Bolsonaro deslocou-se ao Mato Grosso para se encontrar com representantes do sector agrícola e pecuário e desvalorizou o desastre ambiental que se abate sobre uma das áreas mais sensíveis do planeta, dizendo que “há alguns focos de incêndio pelo Brasil”. O Presidente brasileiro diz que o país é criticado injustamente no estrangeiro.

“Quanto mais nos atacarem, mais interessa aos nossos concorrentes, para o que temos de melhor, que é o nosso agronegócio”, afirmou.

O Governo brasileiro tem estado sob forte pressão desde o ano passado, quando a Amazónia foi também palco de muitos incêndios, com vários países a acusarem-no de nada fazer para combater a desflorestação e a ocupação ilegal de terras em biomas protegidos.

Esta semana, oito países europeus assinaram uma carta conjunta em que alertam para o aumento da desflorestação no Brasil, que torna mais difícil a importação dos seus produtos.

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