Marcelo descarta novo estado de emergência, mesmo que os casos cheguem a mil por dia

As novidades deverão ser conhecidas na próxima semana, data em que a DGS revelará o plano de combate à covid-19 para o Outono e Inverno. O regresso do estado de emergência e do confinamento total são duas hipóteses afastadas quer por S. Bento, quer por Belém.

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O Presidente da República espera "não ter de agravar os regimes possíveis" LUSA/LUÍS FORRA
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António Costa foi o porta-voz do gabinete de crise LUSA/RODRIGO ANTUNES

“Acompanhando a tendência geral da Europa estamos a sofrer um forte crescimento de novos casos diariamente. A manter-se esta tendência, na próxima semana chegaremos aos mil novos casos por dia.” Foi com esta nota de alarme que o primeiro-ministro esta sexta-feira arrancou a curta conferência de imprensa à saída da reunião de urgência com o gabinete de crise para o acompanhamento da evolução da covid-19. Horas mais tarde, o Presidente da República comentaria a subida de casos diários em linha com as afirmações feitas pelo primeiro-ministro, descartando o regresso ao estado de emergência como estratégia de combate à pandemia.

Em declarações aos jornalistas após a inauguração da requalificação da Escola Básica do 1.º Ciclo n.º 5 de Olhão, Marcelo Rebelo de Sousa declarou que também ele rejeita adoptar como resposta ao crescimento diário de casos o regresso ao “confinamento total” do país, preferindo apostar nos “frutos de um processo longo” e avisando que espera “não ter de agravar os regimes possíveis”. Falando no plural, o Presidente da República deixou claro que o plano que está a ser preparado irá “evitar confinamentos totais e o regresso ao estado de emergência”.

“Sei que pesei a iniciativa e decisão de avançar para o estado de emergência. E quando o estado de emergência terminou, disse que esperaria não ter de voltar ao estado de emergência ou ao confinamento total”, recordou o Presidente da República.

O encontro do gabinete de crise, agendado para as 11h30 na residência do primeiro-ministro, em S. Bento, começou pelas 12h30 e durou aproximadamente 1h30. O objectivo da reunião foi “reforçar a sensibilização dos cidadãos para a adopção de medidas de prevenção e de segurança contra a covid-19" (doença causada pelo coronavírus SARS-CoV-2), que esta quinta-feira atingiram o maior aumento de casos diários desde 10 de Abril, mas para já não houve muitas novidades.

As orientações da próxima fase de combate só deverão ser conhecidas na próxima semana, data em que a Direcção-Geral da Saúde (DGS) revelará as medidas do plano para o Outono/Inverno, adiantou o primeiro-ministro.

Sem responder a todas as perguntas dos jornalistas, António Costa não revelou o conteúdo da reunião, nem deu novos conselhos ou recomendações, repetindo a narrativa de responsabilidade individual, em que cada pessoa deverá ser “polícia de si própria”. "Se todos cumprirmos as regras básicas, conseguimos controlar a pandemia. O vírus não anda sozinho. Somos nós que os transmitimos uns aos outros. Tudo o resto é importante, mas é acessório. É claro que temos de reforçar a capacidade do Serviço Nacional de Saúde, de testar mais e mais rápido. Mas antes de tudo, temos de fazer o que depende de nós”, disse.

"As escolas não podem voltar a fechar, os idosos não podem deixar de ter visitas nos lares. Seria impensável ter um Natal como tivemos a Páscoa", vincou o primeiro-ministro.

Apesar do voto de confiança nos serviços, António Costa apelou à cautela, mesmo que as pessoas não tenham sintomas. “A maior parte das pessoas está contaminada sem ter sintomas, sendo veículos de transmissão. Por isso, a nossa responsabilidade é permanente e não pode haver relaxamento. Compreendo que ao final de meses já exista fadiga, mas isto não é uma corrida de 100 metros, é uma maratona”, declarou o líder do Governo.

Também pelo facto de o caminho ser longo, o primeiro-ministro descartou um novo confinamento como solução de combate à pandemia, lembrando as duras consequências que essa fase trouxe ao país no início do ano. 

Parar o país teve um custo enorme. Foi horrível. Destruiu milhares de postos de trabalho”, lembra. “Os custos de não haver aulas presenciais foram muito significativos. Nas primeiras cinco semanas deste ano lectivo vai ser feito um esforço de recuperar o que se perdeu”, exemplificou, horas depois de ter também visitado uma escola. 

Reunião resultou em pouco, diz CDS

Para os centristas, o resultado da reunião de gabinete de crise foi “manifestamente curto”. Ana Rita Bessa diz que, além do apelo à responsabilidade individual feito pelo primeiro-ministro, existe uma parte “que cabe ao Estado executar” e que o CDS considera “aquém do que seria expectável nesta época”. 

“Não houve reforço das equipas de rastreamento. Caso se verifiquem os mil casos por dia, haverá manifesta incapacidade de rastrear esses contactos e garantir que não há disseminação na comunidade”, consideram os centristas.

Também as 18 brigadas distritais anunciadas pelo Governo para acompanhar a situação nos lares “ainda não estão no terreno”, diz Ana Rita Bessa, que considera também o reforço de 1500 assistentes nas escolas “tardio” e potencialmente insuficiente. 

Apesar das críticas, o CDS concordou com a mensagem de que “o país não pode voltar a fechar e de que é preciso que todos nós respeitemos as normas de segurança e, desejavelmente, descarreguemos a aplicação que nos pode proteger a nós e aos outros”. Ainda assim, conclui a deputada centrista, parece “manifestamente curto o que saiu desta reunião”.

Nesta reunião estiveram também os ministros de Estado, da Economia e da Transição Digital, Pedro Siza Vieira, de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, de Estado e da Presidência, Marina Vieira da Silva, de Estado e das Finanças, João Leão, da Defesa Nacional, João Gomes Cravinho, da Administração Interna, Eduardo Cabrita, do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Ana Mendes Godinho, da Educação, Tiago Brandão Rodrigues, da Saúde, Marta Temido e das Infraestruturas e da Habitação, Pedro Nuno Santos.

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