Depois de novo aumento, já há 409 mil inscritos nos centros de emprego

Desemprego no Algarve recuou entre Julho e Agosto, mas continuou quase 180% acima do valor de há um ano.

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Pandemia aumentou número do desemprego registado em 105 mil pessoas face a Agosto de 2019 Rui Gaudêncio

O número de cidadãos que se inscreveram nos centros de emprego voltou a aumentar em Agosto. Os serviços do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) tinham registo de 409.331 desempregados, mais 2029 inscritos do que em Julho (407,3 mil).

Os dados divulgados nesta segunda-feira pelo Ministério do Trabalho mostram, segundo o IEFP, que as variações mensais do desemprego estabilizaram “face aos meses de Março, Abril e Maio”.

Com a pandemia a abrir uma crise económica de larga escala, o desemprego disparou em poucos meses, levando a uma vaga de inscrições nos serviços de emprego que fazem com que haja agora mais 105 mil inscritos do que no Verão do ano passado (quando se comparam os registos de Agosto de 2020 com os do mês idêntico de 2019).

Para este aumento homólogo de 34%, indicam as estatísticas do IEFP, contribuíram todos os grupos de desempregados, “com destaque para as mulheres, adultos com idade igual ou superior a 25 anos, os inscritos há menos de um ano, os que procuravam novo emprego e os que possuem como habilitação escolar o secundário”.

Dos 409 mil desempregados, cerca de 46 mil são jovens com idade abaixo dos 25 anos, franja onde a taxa de desemprego subiu 55% em termos homólogos (e tenha subido 2% face a Julho).

Embora haja um aumento expressivo do número global de desempregados, uma análise mais fina mostra que, “pelo segundo mês consecutivo, depois de aumentos em cadeia sucessivos”, houve um “decréscimo de 3,5% do desemprego com origem no sector do alojamento, restauração e similares (-1495 pessoas)”, destaca o Ministério do Trabalho numa nota enviada às redacções.

Relativamente ao número de pedidos de emprego, o IEFP contabilizou 453.152 solicitações, das quais cerca de 304,3 mil partiram de pessoas registadas como desempregadas, 40 foram feitas por pessoas empregadas, 84,2 mil por pessoas classificadas pelo IEFP como ocupados e 24,2 mil por pessoas indisponíveis temporariamente.

O desemprego registado no Algarve recuou 10,6% relativamente a Julho — o número de desempregados inscritos passou de 22.850 para 20.425 —, mas, apesar desta quebra mensal neste mês de Verão, o plano geral é de forte deterioração do mercado face aos níveis pré-pandémicos. Quando se compara com os níveis de Agosto de 2019, o Algarve é a região onde o aumento do desemprego registado é mais significativo a nível nacional, com a região a apresentar uma subida de 178%, já que em Agosto do ano passado havia 7353 desempregados inscritos nos centros de emprego algarvios.

“O desemprego registado aumentou na generalidade das regiões, com excepção da região autónoma dos Açores”, refere o IEFP. Dos 409 mil inscritos, 134.944 são da região de Lisboa e Vale do Tejo, 158.013 da região Norte, 51.944 do Centro, de 20.425 do Algarve, 18.900 da Madeira, 18.156 do Alentejo e 6949 dos Açores.

Os dados mais recentes medidos pelo INE dizem respeito a Julho, mês em relação ao qual o instituto estatístico calcula que a taxa de desemprego tenha correspondido a 8,1% da população activa (dados provisórios, ainda sujeitos a revisão).

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