“Desrespeito e mentira”: Rui Moreira admite levar UEFA a tribunal após cancelamento da Supertaça europeia no Porto

UEFA justificou passagem do evento do Porto para Budapeste com a pandemia. Município soube da decisão pela comunicação social e autarca pede agora reparação dos “prejuízos”.

uefa,liga-campeoes,porto,lisboa,cdu,europa,
Foto
Autarca lamenta decisão da UEFA e fala em falta de respeito pela cidade do Porto Tiago Lopes

Rui Moreira diz ter esperado o “tempo suficiente” por uma explicação da UEFA, mas, permanecendo o silêncio e a ausência de comunicação desta entidade, decidiu agora dar um passo em frente. Depois do cancelamento da Supertaça europeia no Porto ter sido feito sem qualquer aviso ao município, o autarca escreveu uma carta ao organismo gestor do futebol na Europa onde pede explicações e uma reparação dos “prejuízos” causados à cidade. Se não houver acordo entre as partes, o presidente da Câmara do Porto admite chegar aos tribunais, revelou na reunião de câmara desta segunda-feira, depois de ter partilhado com os vereadores da oposição a missiva enviada à UEFA a 16 de Setembro. “Espero ter uma resposta. Se não, creio que em Genève, que é onde é a sede da UEFA, há tribunais e, se for caso disso, trataremos em sede própria.”

Foi a vereadora da CDU, Ilda Figueiredo, quem pediu a palavra para classificar de “inadmissível” o comportamento da UEFA, falando numa “discriminação clara da cidade” não só por parte desse organismo, mas também pelo próprio primeiro-ministro e Presidente da República “que tanto apoio deram para que em Portugal se realizasse a Liga dos Campeões, em Lisboa”, e que, no caso da Supertaça europeia “nada” disseram.

Rui Moreira agradeceu a menção, pediu para distribuir a carta pela comunicação social e revelou os meandros da história até agora desconhecida. Segundo o autarca, a informação de que o Estádio do Dragão já não seria palco da final deste evento chegou-lhe na mesma altura em que soube que Portugal iria candidatar Lisboa à final da Liga dos Campeões. Uma decisão que não dizia respeito à sua autarquia e que, por isso, não o preocupou, garantiu. “O que não me pareceu razoável foi que, como moeda de troca, e sem que fossemos ouvidos quer pela UEFA quer pela Federação [Portuguesa de Futebol], fomos apenas informados por esta, a final da Supertaça já não poderia ser no Porto.”

Os prejuízos que a cidade teve...

Ao autarca do Porto não foi dada nenhuma “explicação razoável” para este cancelamento. Mas “o pior” estaria ainda para vir, quando verificou que a UEFA invocou a situação pandémica na cidade para cancelar o evento, inicialmente marcado para Agosto e entretanto adiado para 24 de Setembro. “Isso é absolutamente inaceitável, contribui para o desrespeito relativamente à cidade do Porto e além disso é mentira”, apontou Moreira, recordando que à data da decisão da UEFA a pandemia apresentava valores consideravelmente mais elevados na região de Lisboa do que no Porto.

“Não podemos aceitar não ter havido nenhum contacto connosco e publicitarem nos sites deles coisas que são objectivamente mentira”, afirmou Rui Moreira, lamentando que a UEFA não tenha admitido que o cancelamento se deveu ao facto de não quererem realizar dois eventos relevantes no mesmo país no mesmo ano. Isso, disse, não seria surpreendente: “Já estamos habituados a que seja assim”, afirmou, aludindo à prioridade dada à capital.

Para a Câmara do Porto, a decisão da UEFA acarreta “prejuízos decorrentes da alteração do evento ao nível da logística e infra-estrutura já executadas” e também “prejuízos de imagem e reputacionais, na medida em que os adeptos, toda a comunidade futebolística, e também outros potenciais visitantes e organizadores de eventos, presumirão que a nossa cidade não é segura por causa da pandemia de Covid-19”, lê-se na carta. O facto de a cidade ter esse evento programado, recordou Rui Moreira, impediu-a de organizar ou receber outros, como a Volta a Portugal em bicicleta.

Pela “notória falta de fundamento justificativo” para o cancelamento do evento, a autarquia avisa a UEFA que “não deixará de reclamar a reparação de todos os prejuízos que lhe estão a ser causados com esta decisão”, mostrando-se, ainda assim, disponível para a “discussão desta decisão e alcance de uma solução favorável para todos”. Tal, acrescentou Rui Moreira, poderá passar por uma compensação financeira ou pela promessa de a Supertaça europeia ser realizada no Porto daqui a dois anos.