Portugueses querem Marcelo mais exigente com o Governo

Sondagem demonstra aumento de confiança no Presidente da República, enquanto o primeiro-ministro está em perda. Marcelo é o único que recupera em tempos de pandemia, enquanto governo e oposição acusam desgaste.

Marcelo e Costa no regresso das reuniões do Infarmed
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Marcelo e Costa no regresso das reuniões do Infarmed Adriano Miranda

A pequena “descolagem” que Marcelo Rebelo de Sousa fez do Governo quando acabou com as reuniões do Infarmed, no início de Julho, já está a dar resultados: dois meses depois, a confiança dos portugueses no Presidente da República aumentou, mas também a exigência que lhe pedem em relação ao Governo. No barómetro da Aximage para o JN e a TSF, 73% dos inquiridos quer que Marcelo seja mais exigente do que tem sido face ao executivo.

No triângulo Presidente/Governo/oposição, o chefe de Estado é o único que está em alta e em crescendo neste período, após as férias e num momento em que a pandemia começa a crescer de forma acentuada. Na avaliação de desempenho, Marcelo obtém 64% de nota positiva, mais três pontos que há dois meses, enquanto o primeiro-ministro perde nove pontos e fica pelos 54%.

Na comparação com António Costa, para quem tinha perdido a liderança da popularidade durante a primeira fase da pandemia, Marcelo Rebelo de Sousa surge agora destacado. Perante a pergunta em quem mais confiam, 47% dos inquiridos escolheu o Presidente da República, enquanto apenas 12% escolheram o primeiro-ministro. Um terço dos inquiridos, no entanto, afirmou ter igual confiança em Marcelo e em Costa (34%).

Ainda assim, António Costa tem uma avaliação melhor que a do Governo (48%), que também caiu nove pontos mas sem que a oposição, vista como um todo, os tenha recuperado, já que também escorregou com a mesma intensidade e hoje não alcança mais do que 28% de avaliações positivas. Numa análise mais fina, em termos partidários (divulgada no domingo), o PS também perdeu face a Julho, mas continua a ter mais intenções de voto que toda a direita, onde PSD e CDS perderam terreno para os novos partidos.

A ameaça de crise política feita pelo primeiro-ministro no final de Agosto, quando acenou com demissão do Governo caso o Orçamento do Estado não fosse aprovado pela esquerda, não parece ter caído bem no eleitorado. Neste barómetro, perguntou-se directamente aos inquiridos com quem concordaram mais nesse episódio, se no primeiro-ministro ou no Presidente da República, que falou em “ficção” e afastou o cenário de eleições antecipadas, e mais uma vez foi Marcelo que saiu a ganhar, e por muitos: 65% contra 14%.

A pressão de António Costa sobre a esquerda para aprovação do Orçamento também não é consensual entre os inquiridos, que se dividem quase em proporção idêntica sobre quem deve aprovar o OE: 26,1% prefere que seja BE e PCP a fazê-lo, mas 24,3% prefere que seja o PSD. A divisão esquerda/direita é também equilibrada na segunda opção desta pergunta: 9,9% dos inquiridos gostava que fosse apenas o BE a aprovar o OE, e no outro prato da balança há 9,3% que preferia que fosse aprovado à direita (com PSD, CDS e IL).

O trabalho de campo deste barómetro foi realizado entre 12 e 15 de Setembro, sob a direcção técnica de José Almeida Ribeiro, e reuniu uma amostra de 603 entrevistas, considerando-se que tem uma margem de erro de 4%.

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