Volkswagen vai indemnizar funcionários que foram vítimas da ditadura no Brasil

Fabricante alemã vai indemnizar antigos funcionários da sua filial brasileira que foram perseguidos durante a ditadura militar no Brasil, entre 1964 e 1985. Empresa terá colaborado de forma sistemática com o regime militar brasileiro.

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Fábrica da Volkswagen em São Bernardo do Campo, São Paulo (Brasil) Paulo Whitaker/REUTERS

A fabricante de automóveis alemã Volkswagen anunciou esta quarta-feira que vai pagar cerca de 36 milhões de reais (aproximadamente 5,5 milhões de euros) em indemnizações e doações a antigos funcionários da sua filial brasileira que foram perseguidos durante a ditadura militar no Brasil, entre 1964 e 1985, depois de terem surgido provas que sugerem que a empresa colaborou de forma sistemática com o regime militar brasileiro.

Uma comissão nomeada pelo Governo que investiga abusos cometidos durante a ditadura no Brasil descobriu provas de que empresas, incluindo a Volkswagen, ajudaram secretamente os militares brasileiros a identificarem suspeitos “subversivos” e activistas sindicais.

Muitos destes funcionários foram, na altura, despedidos, detidos ou perseguidos pela polícia e impedidos de encontrar novos empregos nos anos que se seguiram, conforme revelou uma investigação da agência Reuters de 2014.

Nesta quarta-feira, a Volkswagen anunciou que assinou um acordo com o Ministério Público Federal em São Paulo que inclui a doação de 16,8 milhões de reais (cerca de 2,58 milhões de euros) a uma associação formada por antigos funcionários e familiares das vítimas. O restante dinheiro será doado a várias organizações de defesa dos direitos humanos.

Segundo a Deutsche Welle, mais de 60 pessoas serão beneficiadas. A emissora alemã acrescenta que em causa estava uma queixa levantada por ex-funcionários que trabalharam na fábrica da Volkswagen em São Bernardo do Campo durante a ditadura militar no Brasil, acrescentando que, com o acordo, a fabricante alemã evita uma disputa judicial.

“É importante lidar responsavelmente com este capítulo negativo da história do Brasil e promover a transparência”, afirmou em comunicado Hiltrud Werner, que pertence ao Conselho de Administração da Volkswagen.

O acordo foi noticiado, em primeira mão, pelos meios de comunicação alemães Norddeutscher Rundfunk (NDR), Südwestrundfunk (SWR) e pelo jornal Sueddeutsche Zeitung.

Segundo o historiador Christopher Kopper, da Universidade de Bielefeld, contratado pela Volkswagen para analisar o caso, este acordo será histórico. “Será a primeira vez que uma empresa alemã aceita responsabilidade por violações de direitos humanos contra os seus próprios funcionários por eventos que aconteceram após o fim do Nacional-Socialismo [nazismo]”, afirmou aos meios de comunicação alemães.

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