Crítica

Natural? Qual natural?

Elmano Sancho não facilita. Como o autor, encenador e intérprete não facilita arrasta os espectadores para uma reflexão ponderada, por vezes um bocadinho cerebral demais, porém apresentada de forma dramaticamente frenética e cenicamente estimulante sobre a identidade e a transformação.

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Foto
Filipe Ferreira

O ambiente é feérico, trepidante, artificial. A artificialidade é o mais importante; o fundamental mesmo, como se vai ver mais adiante. Agora interessam as luzes, a acção, a música pop espalhafatosa que às vezes é usada como hino, ou pelo menos à laia de canção de resistência; interessam a dança e os figurinos e a atitude quase tanto quanto a pose, lá está, artificial. Só faltam as câmaras, mas estas também não costumam estar presentes neste ambiente de discoteca palco de transformismo, pelo que não se nota a ausência. Contudo, não faltará uma Nossa Senhora.