Palestiniano em greve de fome numa prisão de Israel está “à beira da morte”

Akhras deixou de comer no início de Agosto em protesto contra a sua detenção administrativa, sem acusação, que só termina a 26 de Novembro.

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Maher al-Akhras está internado no hospital de Rehovot, em Israel TAGHREED AL-AKHRAS/Reuters

Maher al-Akhras, palestiniano de 49 anos detido em Israel, está em greve de fome há 80 dias para protestar contra a sua detenção administrativa – sem acusação formal –, que só termina a 26 de Novembro. O protesto deixou este pai de seis filhos “à beira da morte”, avisa a principal organização de direitos humanos israelita B'Tselem.

Com a deterioração do seu estado de saúde, Akhras foi hospitalizado em Setembro no sul de Telavive. “Apesar da sua condição terrível, Israel insiste em mantê-lo sob custódia”, diz a ONG.

Acusado de ligações ao grupo armado palestiniano Jihad Islâmica, Akhras foi detido em Julho perto de Nablus, na Cisjordânia (a poucos quilómetros da sua casa, na vila de Silat a-Dhahr). Foi colocado em detenção administrativa no início de Agosto, altura em que iniciou o protesto. Este polémico regime de detenção permite a Israel deter palestinianos indefinidamente sem acusação nem julgamento: a lei prevê um máximo de seis meses, mas basta ao Governo pedir à justiça para renovar a detenção por iguais períodos.

Na segunda-feira, numa audiência no Tribunal Superior de Justiça, os juízes aconselharam o advogado de Akhras a aceitar a oferta do procurador, que se comprometeu apenas em não alargar a ordem de detenção. Akhras rejeitou o acordo e disse que só porá fim à greve de fome quando for libertado.

Ao mesmo tempo, centenas de palestinianos pediam a sua libertação no centro de Ramallah e em Gaza. “O nosso povo não deixará cair Maher Al-Akhras”, disse Khader Adnan – um membro da Jihad Islâmica que foi detido várias vezes por Israel e esteve em greve de fome contra o mesmo regime de detenção.

O Centro para os Direitos Humanos Palestiniano, com sede em Gaza, também se manifestou para apelar aos grupos internacionais de direitos humanos para pressionarem Israel e “salvarem a vida de Akhras antes que seja demasiado tarde”. “Façam mais nas próximas horas”, pediu Adnan, dirigindo-se à comunidade internacional e aos líderes palestinianos. “Estamos na fase crítica.”

PÚBLICO -
Protesto em Gaza a pedir a libertação de Maher al-Akhras Reuters

O primeiro-ministro palestiniano, Mohammed Shtayyeh, pediu a libertação de Akhras e o fim das detenções administrativas. Este tipo de detenção é considerado uma violação dos direitos fundamentais, mas os seus defensores argumentam que é a única solução para manter na prisão pessoas suspeitas de poderem representar um perigo iminente nos casos em que não há provas ou estas não possam ser tornadas públicas por razões de segurança.

“A responsabilidade do que acontecer a seguir será dos que podem impedir que a sua saúde continue a piorar ou a sua morte”, disse a B'Tselem num comunicado. “Eles ainda podem impedir isso de acontecer.”

Segundo a organização israelita, no fim de Agosto estavam 355 palestinianos em detenção administrativa, incluindo dois menores.

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