Metro do Porto reformula actual frota e já tem luz verde para novas composições da China

Tribunal de Contas emitiu visto prévio que permite a empresa chinesa iniciar fabrico das 18 composições que começam a chegar ao Porto no final de 2021. Desenho dos veículos da série Eurotram está a ser mudado.

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Paulo Pimenta

A encomenda ao gigante chinês do sector ferroviário que vai permitir aumentar em 60 mil lugares diários a oferta do metro do Porto pode finalmente avançar, depois de o Tribunal de Contas ter emitido o visto prévio que permite o início do fabrico. A adjudicação à empresa CRRC Tangshan, que vai produzir 18 composições por 49,6 milhões de euros, foi feita em Dezembro de 2019 e a Metro aguardava o parecer do tribunal desde o início do ano. Depois de ter dado resposta a todas as questões que este órgão foi fazendo chegar ao Porto, o visto foi finalmente emitido.

Se tudo correr como o previsto, a CRRC deverá entregar as duas primeiras composições “no final de 2021”, adiantou ao PÚBLICO fonte da Metro do Porto. Essa promessa havia sido feita ao próprio primeiro-ministro pela empresa chinesa ainda em 2019, numa altura em que o metro na cidade do Porto batia recordes de número de clientes e a necessidade de novos veículos era premente. A pandemia veio mudar um pouco o contexto já que, apesar de as composições só poderem circular com dois terços da capacidade total, a procura ainda está longe da verificada antes da covid-19. No início deste mês, seria 60% do que era no período homólogo de 2019.

Até ao final de 2023, os 18 veículos – com 252 lugares, 64 deles sentados – devem estar todos no Porto, preparados para servir as linhas Rosa, entre São Bento e a Casa da Música, e o prolongamento da Amarela, entre Santo Ovídio e Vila d’Este. Estas linhas vão acrescentar seis quilómetros e sete estações à rede e representam um investimento de 300 milhões de euros.

O ministro do Ambiente e da Acção Climática, João Pedro Matos Fernandes, havia também garantido em Janeiro, aquando da assinatura do contrato com o maior fabricante mundial de material circulante ferroviário, onde trabalham mais de 180 mil pessoas, que a primeira viatura chegaria, o mais tardar, no terceiro trimestre de 2021.

As obras nas linhas Rosa e Amarela estão neste momento travadas por uma impugnação, com efeitos suspensivos, depois da adjudicação feita pela Metro do Porto em Julho. A Metro irá contestar essa suspensão e terá, depois disso, de aguardar por nova avaliação do Tribunal de Contas aos contratos.

Entretanto, outras mudanças estão em acção na actual frota do metro. Depois de um teste-piloto feito em duas composições da série Eurotram ter obtido um “feedback positivo” nos inquéritos de satisfação feitos aos utilizadores, a Metro já pôs em circulação mais dois veículos com o novo layout e terá mais 15 prontos até ao fim do ano, adiantou fonte da empresa. 

Apesar de retirar oito lugares sentados por composição, o novo desenho, feito em parceria com a Escola Superior de Arte e Design, permitiu aumentar 10%, em média, a ocupação dos veículos, com uma melhoria na fluidez e um aumento do nível médio de ocupação em 20 passageiros.