Fotogaleria
Beatriz Roque Antunes tem 24 anos é de Lisboa JMJ
Fotogaleria
Logótipo foi apresentado esta sexta-feira através das redes sociais da organização JMJ

Beatriz é portuguesa e criou logótipo da Jornada Mundial da Juventude 2023

Logótipo desenhado pela jovem designer de 24 anos ficou à frente das propostas de centenas de candidatos e procura espelhar a experiência religiosa portuguesa. Agora, Beatriz está “ansiosa” por Agosto de 2023 para ir pela primeira vez à Jornada Mundial da Juventude, que decorre em Lisboa.

Depois de meses de sigilo e de espera, Beatriz Roque Antunes pôde, finalmente, mostrar o seu logótipo para a edição de 2023 da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), que se vai realizar em Lisboa. A ideia da jovem, de 24 anos, foi a escolhida pela organização para representar o evento entre as propostas de centenas de candidatos oriundos de 30 países e foi apresentada esta sexta-feira nas redes sociais do encontro.

Ao P3, Beatriz explica que para elaborar o logótipo se inspirou em Maria e na “experiência de fé tão portuguesa que é a experiência da peregrinação”, começando o desenho pela cruz — “que diz tudo em que nós acreditamos”. “Depois de muito rezar, de muito pensar e de muito trabalhar, achei que o que fazia efectivamente sentido era que partisse da cruz e que fosse uma coisa assumidamente católica e assumidamente cristã”, conta a jovem.

A partir daí, a jovem, que trabalha numa agência de comunicação em Lisboa, desenhou uma “cruz a ser interpelada por um caminho que tem, em si, o terço”, a simbolizar a presença da Maria, sendo “percorrido também pelo Espírito Santo”. “[O caminho] Começa na sigla da JMJ porque é um convite a que nós, jovens, que comecemos a caminhar daí e não para aí”, explica.

A presença do terço alude também à forte história de peregrinação em Portugal, especialmente a Fátima. As cores, vermelho, verde e um pouco de amarelo no centro, remetem também para a bandeira portuguesa.

PÚBLICO -
Foto
Dentro do desenho da cruz, é possível ver um terço e a silhueta de Maria JMJ

Beatriz considera que “faz sentido” que a proposta vencedora seja de Lisboa, a cidade que recebe a JMJ, mesmo que acredite que um estrangeiro também iria “servir a Igreja e o tema acima de tudo”. “Se o objectivo é também espelhar a experiência religiosa deste país, faz mais sentido que seja um português a tentar ilustrá-lo, já que à partida terá mais facilidade em fazê-lo”, afirma.

Um segredo difícil de guardar

Beatriz Roque Antunes soube que venceu o concurso em Fevereiro. Na altura, o “processo de altos e baixos” fizera-a esperar, rezar, ansiar e quase baixar os braços e atirar a toalha ao chão. A notícia, quando chegou, deixou-a “delirante”: “Foi uma surpresa. Até lá, queria muito ganhar, mas chegou uma altura em que já achava que não seria possível, que se calhar tinha posto as expectativas demasiado altas e que iria ficar desiludida. Recebi o telefonema e fiquei muito muito feliz”.

O logótipo vencedor só foi apresentado esta sexta-feira, 16 de Outubro, pelo que a autora teve de manter o sigilo até agora. Assim como os pais e a irmã, a família mais próxima. Os restantes parentes e amigos tiveram de esperar. Tem sido “muito bom partilhar” a novidade, diz, mas a longa espera impediu-a de contar a tempo ao avô.

“Tinha o meu avô doente. Ele faleceu no dia 7 deste mês e queria muito ter-lhe contado; fomos sempre adiando porque fomos sempre esperando pela data oficial do lançamento para lhe poder contar e já não foi a tempo. Mas acredito que ele, onde estiver, está a ver e deve estar muito feliz. Mas tenho muita pena que não tenha vivido isto comigo”, lamenta.

Logótipo foi oportunidade para cruzar fé com trabalho

Aos 24 anos, Beatriz trabalha na área praticamente desde que terminou os estudos. Estudou Design na Faculdade de Belas Artes de Lisboa e em Londres e está agora numa agência de comunicação. A criação do logótipo, admite, foi uma rara oportunidade para conciliar a fé com o design.

“Não tenho tantas oportunidades como esta em que se cruzam as coisas de uma forma tão explícita, em que se cruza esta dimensão espiritual com a dimensão do meu trabalho”, diz Beatriz, que ainda assim tenta “oferecer um bocadinho a Deus, todos os dias” aquilo que faz. “Vejo o trabalho como um serviço e tento trazer também a presença e a mensagem de Deus para o meu dia-a-dia e para as escolhas que vou fazendo.”

A Jornada Mundial da Juventude é considerada o maior evento organizado pela Igreja Católica. Junta milhares de jovens de três em três anos e o encontro em Lisboa será o 15.º desde que foi criada em 1985 pelo Papa João Paulo II. A última edição realizou-se em 2019, na Cidade do Panamá. Portugal iria acolhê-la em 2022, mas a organização viu-se forçada forçada a adiar para 2023 devido à pandemia.

Será a estreia de Beatriz, que nunca esteve num destes encontros. “Nunca fui porque a verdade é que é um bocadinho dispendioso. Nas edições anteriores, como era no estrangeiro, teríamos sempre de viajar e não havia orçamento para isso. Acabei por nunca participar, mas fui sempre acompanhando à distância e estava muito ansiosa por participar nestas que iam ser na minha cidade e no meu país.” Lá estará, então, em Agosto de 2023. “Se Deus quiser!”.

Sugerir correcção