“Toca-e-foge”: sonda da NASA tocou com sucesso no asteróide Benu para tirar amostras

É a primeira vez que a NASA recolhe amostras de um asteróide. Sucesso da extracção vai ser conhecido nos próximos dias.

A sonda OSIRIS-Rex a aproximar da superfície do Benu
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A sonda OSIRIS-Rex a aproximar da superfície do Benu NASA

A sonda OSIRIS-Rex desceu esta noite com sucesso até ao asteróide Benu para recolher pequenas amostras para que depois possam ser analisadas por cientistas na Terra. Esta manobra de “toca-e-foge” realizada pela sonda da NASA é considerada uma das mais complexas da exploração espacial: é a primeira vez que a NASA recolhe amostras de um asteróide.

O momento de contacto foi celebrado com aplausos pela equipa responsável, uma operação que representa o culminar de uma missão que vai no quarto ano, mas que agora enfrenta uma última etapa: o regresso à Terra, que deverá dar-se daqui a três anos, em 2023.

A sonda consegue capturar grãos com até 20 milímetros. Depois, a quantidade depende da própria manobra no asteróide, e os resultados vão ser conhecidos dentro de alguns dias. O objectivo da NASA é ter conseguido recolher, pelo menos, 60 gramas de amostras do solo do asteróide. Na complexa manobra, a sonda teve de descer até ao Benu, que tem apenas 500 metros de diâmetro e se move a 100 mil quilómetros por hora, praticamente sem gravidade e com a superfície cheia de rochas de dimensões diferentes.

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O asteróide Benu NASA

“A sonda deve aproximar-se a uma baixa velocidade e abrir o braço mecânico de 3,35 metros de largura, que carregará o dispositivo de amostras na sua extremidade, e faz com este [o dispositivo] pouse durante alguns segundos na sua superfície, evitando assim que o faça sobre alguma rocha que possa danificá-lo”, explicaram ao jornal espanhol El Mundo os cientistas Julia de León, Javier LicandroEri Tatsumi e Juan Luis Rizos, que participam na missão e que pertencem ao Instituto de Astrofísica das Canárias.

Esta não é a primeira vez que se tentam recolher amostras de um asteróide. Os japoneses têm-no feito nas missões Hayabusa 1 e Habayusa 2. A NASA está mesmo a trabalhar de perto com a agência espacial japonesa, pois a Habayusa 2 recolheu no ano passado amostras do Ryugu, um tipo diferente de asteróide.

Os cientistas já se mostram ansiosos por poder analisar as amostras recolhidas nos asteróides. “Podemos aprender muito sobre a formação inicial do sistema solar a partir dos meteoritos, mas assim que essas rochas atravessam a atmosfera para cair na Terra são logo contaminadas de uma forma ou de outra”, explicou ao site da BBC Sara Russell, do Museu de História Natural de Londres. “Portanto, temos agora a oportunidade de obter uma amostra completamente pura para perceber como era mesmo a química primordial no sistema solar.”

A aventura da OSIRIS-Rex começou em 2016, entrou na órbita do asteróide em 2018 e estima-se que a regresse à Terra em Setembro de 2023. Esperamos agora que traga com ela os grãos de Benu (nome, em português, de uma ave na mitologia egípcia).

Notícia actualizada às 00h52 com o desfecho da manobra da sonda.

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