Covid-19: Tâmega e Vale do Sousa não terá “cerca sanitária”, garante António Costa

Encontro do primeiro-ministro com autarcas serviu para discutir medidas de controlo do vírus. Apesar de não avançar com muitos pormenores, António Costa garante que soluções mais radicais não serão implementadas.

Encontro realiza-se na tarde desta quarta-feira
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Encontro realiza-se na tarde desta quarta-feira Nuno Ferreira Santos

O primeiro-ministro, António Costa, reuniu-se na tarde desta quarta-feira com os autarcas da região do Baixo Tâmega e Vale do Sousa, num encontro que teve lugar em Paços de Ferreira e em que se pretendia avaliar a evolução da pandemia de covid-19 nesta área do país. António Costa avançou que foi delineado um conjunto de medidas com o objectivo de estancar o aumento de novos casos nos concelhos desta região, mas preferiu não avançar mais pormenores.

“Não vou anunciar agora [as medidas], de certeza que a ministra da da Saúde e o ministro da Administração Interna as vão anunciar oportunamente. Agora vou falar com os meus colegas do Governo para que eles possam tomar as decisões e possam ser formalizadas. Não está em causa nenhuma cerca sanitária nem confinamento obrigatório. Estão em causa medidas que visam conter a expansão da pandemia que de acordo com a informação que recolhemos dos responsáveis pela saúde pública têm origem em contágios originados por convívio social. Festas, encontros de natureza familiar e não familiar. É isso que temos de ter capacidade de conter [a propagação]”, afirmou o primeiro-ministro à saída da reunião. 

Os autarcas de Felgueiras, Lousada e Paços de Ferreira marcaram presença neste encontro com António Costa, depois de o Baixo Tâmega e Vale do Sousa se tornar na zona do país com maior número de casos por 100 mil habitantes. Na última segunda-feira, quando a Direcção-Geral da Saúde (DGS) detalhou o número de casos por concelho, estes três municípios concentravam mais de três mil casos (3010), número que tem crescido nas últimas semanas. As autoridades de saúde locais chegaram mesmo a emitir um alerta à população, motivado pelo aumento do número de casos nestes três concelhos. Apesar de não ter revelado em concreto as medidas, o primeiro-ministro identificou algumas áreas de combate à epidemia que precisam de ser melhoradas. 

“Foi possível identificar um conjunto de medidas que irão ser implementadas, desde o aumento da capacidade de testagem, do aumento dos inquéritos epidemiológicos e fazer um esforço com os municípios para recuperar os atrasos. Por outro lado, tive a oportunidade de recolher sugestões de todos para que possa ser contida a pandemia. [O vírus] tem um epicentro nestes três municípios, mas está a alastrar-se aos municípios envolventes e temos de agir o mais rapidamente possível para conter a propagação”, finalizou.

Em declarações ao PÚBLICO, o presidente da Câmara Municipal de Felgueiras, Nuno Fonseca, adiantou que esta quinta-feira poderão ser anunciadas algumas medidas discutidas nesta reunião, dizendo que o aumento do número de casos no município – que se situa entre as 25 e as 30 infecções diárias – é preocupante. O autarca diz ainda que o acesso a alguns dos dados detidos pelas autoridades de saúde seria importante, pois ajudaria os municípios a localizarem focos de infecção e eventos sociais que podem estar na origem do aumento do número de casos. 

Paredes adopta medidas. “Situação não está controlada”, diz autarca

Na reunião estiveram presentes os autarcas do Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Tâmega-Norte, mas em Paredes, concelho que não teve representação neste encontro, serão implementadas medidas restritivas a partir da meia-noite desta quinta-feira. De acordo com o comunicado enviado pelo município esta quarta-feira, o horário de encerramento de cafés, pastelarias e outros estabelecimentos similares passará a acontecer às 22h, sendo que os restaurantes não poderão receber clientes a partir desta hora e passam a encerrar obrigatoriamente às 23h.

“Com estas medidas adicionais quisemos dar um sinal às pessoas de que a situação não está controlada. Temos assistido a um crescimento inesperado de casos e isso obriga a tomar medidas. No final de Setembro, o número de casos rondava os 200 e agora temos 836 casos activos [os números reportam a terça-feira], ou seja, temos quatro vezes mais pessoas infectadas, o que é preocupante”, declarou ao PÚBLICO o presidente da Câmara de Paredes, Alexandre Almeida.

O pacote de medidas desenhado para abrandar o número de novas infecções no concelho abrange ainda eventos de cariz cultural e artística, que já não serão realizados em Paredes. A “Feira Franca de Paredes”, que acontece duas vezes por mês, também não se realizará. 

“Vamos ver se com estas medidas conseguimos travar um pouco a progressão da pandemia no concelho”, diz o autarca, afirmando que as medidas, que foram articuladas com a delegada de saúde, vão vigorar enquanto o número de casos se mantiverem elevados. “Quando percebermos que a situação está controlada, levantaremos as medidas que começam a vigorar à meia-noite”, finalizou.

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