Aos 38 anos, o ensino na CESPU está de boa saúde e recomenda-se

O aniversário da Cooperativa de Ensino Superior Politécnico e Universitário celebra um percurso de conquistas e de reconhecimento. Em entrevista, António Almeida Dias, presidente do Conselho de Administração, fala-nos sobre o sucesso da instituição.

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D.R.

A CESPU - Cooperativa de Ensino Superior e Universitário é um projecto pioneiro desde a sua génese. À altura, 1982, criar cursos na área da saúde, fossem eles de cariz universitário ou de cariz politécnico, eram objectivos ambiciosos e reflexo de uma visão quase futurista. Ensino superior privado, especializado na área da Saúde e com uma componente muito prática foi este o objectivo de criação da CESPU. Para António Almeida Dias, presidente do Conselho de Administração, esta origem e objectivos da Cooperativa são “aquilo que poderá ter levado a uma trajectória de sucesso”, comprovada por estes 38 anos de existência.

A primeira conquista foi a criação de uma licenciatura em Medicina Dentária, um curso que, até então, existia exclusivamente no sector público. Seguiram-se outros como as Ciências Farmacêuticas e a Psicologia Clínica: “A raiz acabou por determinar a história que acabou por acontecer”, afirma Almeida Dias. A criação, em 1997, das Escolas de Saúde do Vale do Ave e do Vale do Sousa no âmbito do Ensino Superior Politécnico acabaria também por marcar o percurso pioneiro da CESPU, ao juntar todo o tipo de cursos de saúde não universitários.

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"No caso da Saúde, é muito importante que as competências práticas sejam adquiridas durante o curso”, reforça António Almeida Dias, presidente do Conselho de Administração.

O modelo de ensino assentou, todo ele, no ensino em ambiente real de trabalho, o que levou à necessidade de criar clínicas universitárias, laboratórios, áreas de simulação e na aposta em estabelecimentos de saúde. A CESPU pertence à estrutura societária de algumas unidades hospitalares, o que permite que os alunos tenham muitas horas de formação prática. “No caso da Saúde, é muito importante que as competências práticas sejam adquiridas durante o curso”, reforça Almeida Dias. A necessidade de ensinar em ambiente real de trabalho levou a CESPU a criar parcerias com o Serviço Nacional de Saúde, como é exemplo recente a abertura de unidades de saúde oral em estruturas hospitalares públicas, processo iniciado em 2000. “Por um lado permitiu que os nossos alunos tivessem um treino mais exaustivo”, explicou Almeida Dias, “mas também contribuímos para que a população pudesse ter acesso à Saúde Oral.”

“Não há nenhuma instituição em Portugal que esteja tão bem preparada para ensinar Saúde como a nossa”

A afirmação é de António Almeida Dias que defende que a missão de criar e difundir conhecimento na área das ciências da saúde cumpre-se no investimento constante em alargar a oferta pedagógica, na aposta na inovação e na procura constante pelo esmero no modelo formativo. Relativamente à componente prática, a parceria com o Grupo Trofa Saúde no Hospital do Senhor do Bonfim é: o “culminar da necessidade de termos estruturas hospitalares dedicadas ao ensino”, partilha Almeida Dias. Desde 2019 que os alunos da CESPU beneficiam desta parceria que se materializou com a constituição da Associação Ensinar Saúde Norte, cujo objectivo é criar um conceito diferente de hospital-escola, onde os alunos podem ir fazendo a sua formação em meios de simulação e, em paralelo, com o ambiente real de trabalho”, explica o presidente da CESPU. É o maior hospital privado construído até à data. Conta com 550 camas e está equipado com as tecnologias mais recentes. “É um projecto muito importante para nós, até porque é o único hospital que tem condições físicas e tecnológicas para responder às exigências de quase todas as áreas da Saúde e em particular da Medicina”, refere. Com este equipamento e com um corpo docente que conta com cerca de duas centenas de doutorados, o responsável acredita que: “estão reunidas todas as condições para ministrar o curso de Medicina, com elevada qualidade”. 

Sucesso nacional replicado internacionalmente. O futuro.

A CESPU entendeu muito cedo que se queria crescer em Portugal e ter um forte impacto além-fronteiras precisava de definir uma estratégia. Assim, um dos pontos fortes da CESPU é o projecto de internacionalização. Actualmente, é responsável pela área da Saúde na Universidade Privada de Marraquexe, lidera a PEA - Projectos Educativos de Angola e iniciou recentemente o processo de implementação de uma escola no Recife, Brasil. Ainda mais recente e pela primeira vez na Europa, a CESPU estabeleceu uma parceria com a Universidade Europeia das Ciências Aplicadas da Alemanha para “a criação de uma Escola Internacional de Saúde”, assente num sistema de formação inovador e que será apresentado em breve, adiantou Almeida Dias.​

O processo de internacionalização da CESPU orienta-se também num outro sentido, o de captação de alunos estrangeiros. Desde 2010 que existe a CESPU Europa, com sede em Barcelona e filial em Milão, e que tem como um dos seus objectivos difundir o projecto educativo da CESPU além-fronteiras. Actualmente, e como resultado desta actividade, 55% dos 1600 alunos do Instituto Universitário de Ciências da Saúde são alunos de outros países europeus bem como 30% dos alunos do Instituto Politécnico de Saúde do Norte.

Sobre o futuro e fazendo um paralelismo com a actualidade, o presidente da CESPU recorda que “esta pandemia acaba por fazer com que toda a gente olhe para a questão da Saúde”. Reforça que é fundamental que sejamos pragmáticos, “não basta elogiar os profissionais de saúde” nem vale a pena “politizar muito, dizendo bem ou mal do sistema”. Recomenda que: tentemos ser “suficientemente lúcidos para perceber que o sistema tem fragilidades”. Na prática, “a população continua a não ter uma resposta adequada” - sendo por isso fundamental investir no ensino da saúde, pré e pós-graduado, e de uma forma particular na formação contínua ao longo da vida.

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