Um museu de arte e educação é o novo edifício de Siza e Castanheira na China

Equipamento com cerca de cinco mil metros quadrados que será inaugurado este sábado vai acolher uma colecção de pintura e escultura. Integra um campus na cidade de Ningbo, a sul de Xangai.

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Maqueta do MoAE na exposição no Museu de Serralves Adriano Miranda

Chegou a ter a inauguração marcada para o mês de Abril, mas, lá – onde tudo começou – como cá, a pandemia provocou adiamentos, pelo que será apenas este sábado que os arquitectos Álvaro Siza e Carlos Castanheira verão finalmente inaugurado mais um projecto conjunto na China. Trata-se do MoAE  Museu de Arte e Educação, localizado em Ningbo, uma cidade com cerca de oito milhões de habitantes na costa leste do país, a sul de Xangai.

Os dois arquitectos portugueses vão participar na cerimónia da inauguração na manhã de sábado (final da tarde em Ningbo) por vídeo-conferência, associando-se à presença, no local, do embaixador português na China, José Augusto Duarte, e do cônsul em Xangai, Israel Saraiva.

O MoAE “é um pequeno museu que é enorme por dentro”, diz a memória descritiva com que os dois arquitectos anunciam a inauguração da obra, que fica encostada à colina junto ao Lago Dongquian, na província de Zhejiang.

Quem visitou já a exposição Orient Express – Viagem de Retorno, que reúne em Serralves, até 6 de Dezembro, maquetas e projectos de obras de Siza e Castanheira na Ásia, pôde ver a maqueta do MoAE, um museu que, pela forma, e pelo recurso a uma rampa que permite o acesso aos seus quatro pisos, faz lembrar a Fundação Iberê Camargo em Porto Alegre, no Brasil.

“Com uma área total de 5300 metros quadrados, o MoAE é um edifício surpreendente, totalmente revestido a chapa metálica negra, e que está muito bem acabado”, explicou ao PÚBLICO Carlos Castanheira quando da inauguração da exposição no Museu de Serralves. “A entrada do público faz-se depois de contornarmos o volume e de sermos obrigados a sentir uma compressão. Absorve-nos para depois nos libertar no imenso vazio a toda a altura, onde se serpenteia a rampa que permite o acesso a todos os pisos”, acrescenta a descrição do edifício, que termina com esta nota: “Um museu tem que ter uma alma grande; não importa o tamanho.”

O MoAE foi construído para albergar a colecção de pintura e escultura (maioritariamente de artistas chineses e russos, mas também de alguns ocidentais) de um grande empresário chinês, que detém várias escolas na cidade de Ningbo. No seu acervo avulta “uma colecção belíssima, e valiosíssima, de pinturas chinesas antigas, seculares”, acrescenta Carlos Castanheira. Trata-se de um equipamento pensado para usufruto público, tanto da população escolar como dos habitantes e visitantes da região.

O projecto do Museu de Arte e Educação de Ningbo começou a ganhar contornos em 2014, ano em que Carlos Castanheira, que desde há várias décadas colabora com Siza, fez a sua primeira visita a esta cidade.

No portfolio desta dupla de arquitectos, a inauguração do MoAE sucede à do China Design Museum, aberto em 2018 em Hangzhou para acolher a Colecção Bauhaus da Academia Chinesa das Artes. No mesmo país, Siza e Castanheira projectaram já também o “Edifício sobre a Água”, em Huai’na, Jiangsu, concluído em 2014; e têm actualmente em obra o Museu de Haishang, em Xangai.

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Além da China, a dupla portuguesa tem também vindo a assinar vários projectos em Taiwan e na Coreia do Sul – país onde iniciaram esta “conquista do Oriente”, em 2005, com um pavilhão multiusos para o Parque de Anyang; e onde construíram o Museu Mimesis, na cidade de Paju. Em Taiwan, foi também inaugurada, no final do mês de Outubro, a Elite Club House, a acrescentar ao edifício da recepção de um campo de golfe em Taichung.

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