Cross, o Fiat Tipo que quer pular a cerca

Há um novo crossover vindo de Turim, de onde acabam de sair ainda gamas renovadas para a chamada Família Funcional Fiat, composta pelo recente Tipo e pelo quarentão Panda.

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O Cross coloca o Tipo entre os SUV compactos do segmento C DR
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Se 2020 se revelou um ano excruciante para a maioria das empresas italianas, a Fiat, com sede no Norte do país, onde a primeira vaga de covid-19 se revelou implacável, não foi excepção. E, não fosse a pandemia, o ano teria tido notas positivas para o emblema, que avançou com uma quase renovação total de gama. As apresentações mais recentes põem o foco sobre o novo Tipo Cross e as gamas renovadas do familiar compacto Tipo e do citadino (com um pé no segmento dos utilitários) Panda que constituem aquilo que Turim escolheu designar de Família Funcional Fiat.

“Quem disse que a Fiat estava a ficar para trás?”, brincou, esta semana, no decorrer da apresentação digital, Luca Napolitano, responsável das marcas Fiat e Abarth para a região que engloba a Europa, África e Médio Oriente. Napolitano informou que, a este ritmo, antes do fim de 2021, a Fiat espera, entre modelos 100% eléctricos, como o caso do novo 500, e outros assentes ainda em combustíveis fósseis, mas apoiados por um engenho eléctrico, ter 60% da sua gama electrificada, colocando-se assim muito acima da média do mercado.

Por estes dias, porém, o que de mais interessante parece ter saído da conferência de imprensa de Napolitano foi a revelação do novo Tipo Cross, que chega para encaixar o automóvel, cujo nome foi resgatado à última década do último século, no apetecível subsegmento dos SUV compactos, que reúne alguns tubarões do segmento C – caso para questionar se terá chegado a tempo? Mas a Fiat não desarma e, além de sublinhar o facto de se tratar de “uma viatura mais emotiva, inconfundível, dinâmica e jovem”, propõe-se a conquistar uma fatia de clientes graças a um preço que alega vir a ser competitivo.

Em termos visuais, é fácil distinguir o Tipo Cross logo pela sua altura (apresenta mais 7cm) e pela distância ao solo, que cresceu 4cm para o tornar apto a investidas por terrenos mais acidentados, como se pretende de um crossover. Depois, sobressaem os elementos tipicamente “suvianos": frente imponente, cavas das rodas robustas, aplicações de protecção que podem ser mais para enfeitar do que outra coisa, mas que enchem o olho.

O Tipo Cross pode ser equipado com os turbodiesel 1.3 Multijet de 95cv e 1.6 de 130cv ou com o motor a gasolina 1.0 GSE T3 de 100cv (da família FireFly Turbo).

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Tipo e Panda de caras lavadas

O Fiat Tipo foi lançado em 2015, enquanto o Panda, que soprou há pouco as 40 velas, carrega o peso de uma geração nascida em 2011, sob os holofotes de Frankfurt. Por isso, num ano em que o mercado assistiu à chegada do 500 eléctrico (com destaque para a nova carroçaria de 3+1, em que o acesso ao banco traseiro é facilitado pela inclusão de portas do tipo suicidas do lado do passageiro) ou do Panda Hybrid, nada mais natural do que proceder à actualização da gama. Além de a marca italiana parecer querer silenciar as vozes agoirentas que vaticinavam o fim de vida dos carros pequenos saídos de Turim e consequentemente da sua importância. Claro que este volte-face não foi fruto de um milagre, e para que o mesmo se desse pesou um acordo entre a FCA e a Tesla, com a primeira a comprar créditos de carbono à empresa de Elon Musk e, dessa forma, evitar as pesadas penalizações que a Comissão Europeia se prepara para apresentar aos construtores que ultrapassem a meta de 95 g/km.

Assim, ambos os modelos, que representam 58% das vendas da Fiat, passam a ser disponibilizados numa gama que se divide em três temas: Life, Sport e Cross. O primeiro, dizem, é indicado para quem vive em centros urbanos; o segundo, Sport, para quem tenha um estilo de vida activo; e, por fim, Cross, para potenciar a exploração de mais caminhos além dos asfaltados. “Estamos a oferecer soluções de mobilidade para a cidade e não só, cada vez mais sustentáveis, conectadas e tecnologicamente avançadas, em linha com as exigências dos nossos clientes-alvo”, contextualizou Napolitano.

Os três temas são uniformes em ambas as gamas, diferindo apenas pelo número de níveis de equipamento e pelas variantes de carroçaria. No caso do Tipo, o tema Life pode ser conjugado com os níveis de equipamento Tipo, City Life e Life, disponíveis em três variantes de carroçaria (4 portas, hatchback e carrinha), ao passo que o tema Sport, disponível no nível de equipamento City Sport, apresenta-se nas variantes de hatchback e carrinha. No caso do Cross, existirão dois dois níveis de equipamento (City Cross e Cross) sob a forma de hatchback ou crossover.

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A gama do Panda, criada com a mesma filosofia em mente, apresenta cinco níveis de equipamento: Panda e City Life para o tema Life; uma nova versão Sport para expressar o homónimo tema e as versões City Cross e Cross para representar o tema Cross.

Ao nível das mecânicas, a decisão terá de ser tomada entre o motor 1.0 FireFly Hybrid de 70cv disponível em toda a gama Panda e o motor a gasolina 1.0 SGE T3 de 100cv do Tipo.