Democratas aprovam cheque de 2000 dólares para milhões de norte-americanos

Câmara dos Representantes dá passo exigido por Trump de um apoio maior a cidadãos abrangidos por programa de estímulo contra a pandemia. Falta agora o Senado, controlado pelos Republicanos.

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Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos Representantes, desafia republicanos a apoiar a medida no Senado LUSA/SHAWN THEW

Milhões de cidadãos norte-americanos vão receber um cheque de apoio no valor de 2000 dólares se o Congresso dos EUA der luz verde à medida que, na última noite, já foi aprovada pela Câmara dos Representantes, controlada pelo Partido Democrata. Essa era uma exigência do ainda Presidente Donald Trump, que vê assim satisfeita a exigência que pôs em cima da mesa quando assinou, após cinco dias de resistência, o novo plano de estímulo à economia. Falta agora a luz verde do Senado, que é controlado pelo Partido Republicano, que tem resistido a apoiar o aumento dos apoios.

O destino deste pacote de estímulos, que inclui apoio à economia de 900 mil milhões de dólares (737 mil milhões de euros) e financiamento da Administração dos EUA no valor de 1,4 biliões de dólares (1,15 biliões de euros), esteve barrado pelo próprio Donald Trump, que atrasou a assinatura do diploma durante cinco dias. Depois de abençoar a negociação de um acordo entre os dois partidos, num processo em que se fez representar pelo secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, o Presidente cessante bloqueou o acordo, exigindo que fossem aprovados cheques de 2000 dólares em vez dos de 600 dólares incluídos nesse acordo.

O bloqueio de Trump teve impacto quase imediato na vida de milhões de pessoas, mas o próprio pôs fim a esse impasse no domingo, ante o risco de um bloqueio da Administração dos EUA, que ficaria sem dinheiro para poder trabalhar. Mesmo assim, manteve a exigência de reforço dos cheques, algo que aliás já era defendido pelos democratas. O pacote inclui outras medidas como reforço do subsídio de desemprego, apoio às rendas (em dinheiro e com moratórias) e empréstimos às empresas, sobretudo para pagamento de salários.

Na bolsa de Nova Iorque, a assinatura de Donald Trump impulsionou os índices Dow Jones e S&P 500 para valorizações recorde, na segunda-feira. 

Nesse dia, à noite, a Câmara dos Representantes aprovou o aumento com a maioria necessária, de dois terços. A votação final foi de 275 votos a favor e 130 contra. Resta saber o que farão os republicanos que controlam a câmara alta do Congresso, onde este apoio terá de ser aprovado. 

A presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi (democrata), desafiou a maioria republicana no Senado a apoiar esta medida. “Os republicanos têm uma escolha pela frente, apoiarem esta legislação ou negarem ao povo norte-americano os cheques maiores de que necessita.”

O Senado reúne-se nesta terça-feira, sob pressão. O Presidente eleito Joe Biden, que toma posse a 20 de Janeiro, já afirmou que apoia a medida.