Marcas de luxo contrariam queda de 33,9% do mercado automóvel em 2020

Aston Martin, Porsche, Ferrari e Bentley foram as excepções. Modelos electrificados são 21,6% das vendas – um em cada cinco carros vendidos.

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Francisco Romao Pereira (arquivo)

As vendas de carros em Portugal recuaram 33,9% em 2020, face ao ano anterior. Os dados divulgados esta segunda-feira pela ACAP - Associação Automóvel de Portugal evidenciam o impacto da crise provocada pela pandemia.

No mercado mais relevante, o dos ligeiros de passageiros, venderam-se menos 78.382 veículos no ano passado, em comparação com 2019. Aliás, a quebra neste mercado é superior, de 35%. O que significa que Portugal deverá ter a segunda maior quebra da União Europeia, dez pontos percentuais acima da média europeia e apenas melhor do que a Croácia, que é um mercado de dimensão mais pequena do que o português. 

Nos ligeiros de mercadorias e nos pesados, a quebra foi menor (-28,3% nos dois casos). Por tipo de combustível, o motor a gasolina foi o preferido de mais portugueses, representando 44,2% das vendas de ligeiros em 2020. O motor a gasóleo foi a opção em 32,8% das compras e os modelos electrificados (eléctricos puros, híbridos plug in e híbridos convencionais) foram 21,6% das vendas.

Dito de outro modo, um em cada cinco carros vendidos em 2020 tinha motor eléctrico ou era um híbrido. Foram 31.599 ligeiros de passageiros electrificados, num total de 145.417 unidades vendidas em 2020. Os híbridos plug in e convencionais com motor a gasolina são os mais populares de entre as opções electrificadas. Juntos somaram 19.469 viaturas vendidas, cerca de 61,6% dos electrificados comercializados em 2020.

“Está em linha com o esperado, já são segmentos muito importantes e por isso mesmo contestámos as mudanças feitas no Orçamento do Estado para 2021, que no fundo retira os apoios à compra de certos híbridos, o que é um contra-senso porque estes veículos emitem menos 30% de CO2 e assim põe-se em causa o cumprimento das metas de emissões”, argumenta Hélder Pedro, secretário-geral da ACAP ao PÚBLICO.

Somando, aos 145.417 ligeiros de passageiros vendidos, os comerciais ligeiros e os pesados, o mercado nacional de 2020 fechou contas com 176.992 unidades. O que equivale a cerca de dois terços dos 267.828 carros vendidos em 2019.

Luxo resistiu

Apenas quatro marcas, todas de luxo, escaparam a este recuo generalizado. Mas isso é algo que não merece grandes comentários à ACAP, até porque os segmentos de luxo são um nicho de mercado que representa cerca de 1% das vendas totais, diz a mesma fonte.

Porsche, Ferrari, Aston Martin e Bentley são as quatro marcas que contrariaram a tendência geral de quebra. Todas as restantes fecharam o ano de 2020 em terreno negativo, incluindo a Renault, que manteve a liderança no mercado nacional, com uma quota de mercado de 12,8% (era de 12,96% em 2019), apesar do tombo de 35,8% nas vendas.

Para o secretário-geral da ACAP, os números hoje divulgados “confirmam a pior expectativa” que a indústria alimentava desde que a pandemia chegou ao país, em Março. A retracção nas vendas deve-se, num primeiro momento, ao confinamento entre Março e Maio, que manteve os stands de vendas fechados, sublinha Hélder Pedro, ao que se seguiu uma retracção dos consumidores, devido à perda de rendimento.

Turismo arrastou rent-a-car

A quebra no turismo reflectiu-se de forma igualmente negativa nas vendas de carros em 2020. O rent-a-car representa cerca de 28% das compras anuais de carros em Portugal e, no ano passado, as compras deste canal caíram entre 72% e 73%, frisa o mesmo porta-voz da ACAP. “O rent-a-car é um canal muito importante em Portugal e com a quebra no turismo houve um impacto profundo no mercado automóvel”, sintetiza.

A marca mais vendida, a Renault, comercializou 18.613 carros em 2020 no mercado nacional, menos 10.401 do que no ano anterior. A Peugeot foi a segunda marca mais comprada pelos portugueses. As vendas caíram 33%, de 23.668 em 2019, para 15.851 em 2020, mas como caiu abaixo da média do mercado, acabou por ganhar quota, que passou de 10,58% para 10,9%.

Em terceiro lugar ficou a Mercedes, que caiu 17% para 13.752 unidades vendidas e em quarto está outra marca alemã, a BMW, que vendeu 10.519 carros ligeiros de passageiros em 2020, o que traduz uma quebra de 24,5%. O top 5 fecha com a Citroën, que vendeu 8244 veículos, menos 41,1% do que os 14.007 comercializados em 2019.

Com vendas a crescer, apenas a Porsche (mais 10,9%, de 748 para 841 unidades), a Ferrari (de 26 para 30, mais 15,4%) e Aston Martin (mais 16,7%, se seis para sete carros vendidos). A Bentley também contrariou a hecatombe geral vendendo igual número de carros em 2020 (21), portanto uma variação de 0%.

A marca com mais crescimento percentual foi, no entanto, a Man, que cresceu 28,6% (de sete para nove). Esta marca vende furgões e vans em Portugal e a sua inclusão na tabela de vendas de ligeiros deve-se a algum modelo cuja tara fica abaixo das 3500 kg, anota aquele responsável da ACAP.