Deputados recebem a encíclica Fratelli Tutti, do Papa Francisco, oferecida por um grupo de católicos

Os 70 membros do Governo também irão receber os livros financiados por católicos como Manuela Eanes, Ribeiro e Castro ou Alice Vieira. Entrega é feita ao início da tarde desta quinta-feira.

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Papa Francisco já escreveu três encíclicas Reuters/GUGLIELMO MANGIAPANE

Cada um dos 230 deputados à Assembleia da República vai receber um exemplar da encíclica Fratelli Tutti, publicada em Outubro pelo Papa Francisco. A oferta será feita nesta quinta-feira por um grupo de católicos aos representantes dos sete grupos parlamentares, dos deputados únicos e às duas deputadas não-inscritas, no átrio da porta principal do Parlamento, ao cimo da icónica escadaria, pelas 14h30, pouco antes do plenário, noticiou o site de informação religiosa 7Margens.

A ideia partiu de um grupo de pessoas não-católicas e a iniciativa acabou por ser materializada por Eugénio Fonseca, actual presidente da Confederação do Voluntariado e antigo presidente da Cáritas Portuguesa. “Dado o conteúdo e o impacto que a encíclica do Papa pode ter em ordem à intervenção social, porque não reunir um grupo de católicos que, em nome próprio, oferecessem o texto àqueles que estão mandatados pelo povo?”, contou ao site 7Margens.

Houve um grupo de crentes que se juntaram e compraram 339 exemplares da encíclica: além dos 230 deputados, também todos os membros do Governo — ministros e secretários de Estado irão receber a Fratelli Tutti. Contas feitas, sobram ainda quase quatro dezenas de exemplares que os responsáveis pela iniciativa decidirão ainda a quem enviar.

A compra dos livros foi feita através de angariação de fundos em que participaram dezenas de pessoas, entre as quais se contam, de acordo com o 7Margens, Manuela Eanes, a escritora Alice Vieira, a reitora da Universidade Católica, Isabel Capeloa Gil, a antiga deputada socialista Maria do Rosário Carneiro, o antigo dirigente do CDS José Ribeiro e Castro, ou o jurista Pedro Vaz Patto, presidente da Comissão Justiça e Paz.

A nova encíclica papal, "Fratelli Tutti" (Todos irmãos), dedicada à fraternidade e amizade social, foi apresentada no primeiro domingo de Outubro pelo Papa Francisco no Vaticano, após a oração do Ângelus. É a terceira encíclica do pontificado do Papa Francisco, após "Lumen Fidei" (A luz da fé), em 2013, e "Laudato si, em 2015, sobre a ecologia integral. Nela, o Papa Francisco critica o reacendimento dos populismos, o racismo e os discursos de ódio, lamentando a perda de “sentido social” e o retrocesso histórico que o mundo está a viver.

A encíclica associa os discursos de ódio a regimes políticos populistas e a “abordagens económico-liberais”, que defendem a necessidade de “evitar a todo o custo a chegada de pessoas migrantes”.