Doentes oncológicos que já tiveram covid deixam de ter que fazer testes todas as semanas

Doentes com cancros que já tiveram covid-19 serão cerca de 5% do total.

Foto
Nelson Garrido

Os doentes com cancro que já tiveram covid-19 e que estão a fazer quimioterapia e radioterapia vão deixar de ter que fazer testes de diagnóstico todas as semanas. Publicada no início da pandemia, em Abril do ano passado, a norma da Direcção-Geral da Saúde (DGS) que estipula esta obrigatoriedade vai ser revista nos próximos dias, adianta o director do Programa Nacional para as Doenças Oncológicas, José Dinis.

Os doentes que já tiveram covid-19, e que serão cerca de 5% do total, não precisarão a partir de agora de fazer o teste nos primeiros 90 dias após o diagnóstico da doença , explica José Dinis.  “É uma mudança muito relevante para estes doentes que deixam de ter que passar por este calvário”, destaca o médico. A actualização da norma da DGS surge após uma revisão no mesmo sentido feita pelo Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC na sigla em inglês) de dispensa o teste de diagnóstico nos primeiros 118 dias, uma vez que a probabilidade de reinfecção é extremamente reduzida.

A norma da DGS foi preparada logo no início da pandemia e publicada em 2 de Abril, numa altura em que foi necessário reconfigurar os cuidados de saúde em oncologia. Nessa altura ficou definido que, antes de iniciarem tratamentos de quimioterapia e radioterapia ou fazerem uma cirurgia, todos os doentes com cancro deveriam ser sujeitos ao teste da Covid-19. E, no caso da quimioterapia e radioterapia, tratamentos que muitas vezes se prolongam durante semanas, esse teste deveria ser feito uma vez por semana. 

A norma estipula também que as unidades de saúde onde são prestados cuidados a doentes oncológicos “devem ser isoladas daquelas que prestam cuidados assistenciais a doentes não oncológicos” e que devem implementar “medidas reforçadas de rastreio” para minimizar o risco de infecção pelo novo coronavírus. E dava a indicação às Administrações Regionais de Saúde (ARS) para fazerem “todos os esforços necessários” para reorganizar as respostas dos serviços de saúde a nível regional e local.