Maioria quer destituição de Trump, mas apoio republicano mantém-se forte

Sondagem do Washington Post e da ABC mostra que os norte-americanos estão unidos na condenação do ataque ao Capitólio, mas continuam separados em quase tudo o resto. 66% dos republicanos ainda acreditam que há provas de fraude generalizada na eleição presidencial.

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Donald Trump vai ser julgado pela segunda vez num processo de destituição Reuters/Erin Scott

As sondagens feitas nos Estados Unidos da América depois da invasão e ocupação do Capitólio por apoiantes de Donald Trump, no dia 6 de Janeiro, indicam que as divisões no eleitorado continuam tão profundas como antes, e que até cresceram um pouco mais em alguns indicadores, devido a uma maior oposição no Partido Democrata ao Presidente dos EUA. A única ponte entre os dois lados é mesmo a condenação generalizada do ataque ao Congresso norte-americano, que não se estende às razões e aos principais responsáveis pela violência.

Na primeira sondagem feita para o jornal Washington Post e para o canal ABC após os acontecimentos da semana passada, 56% dos inquiridos dizem que Trump deve ser destituído e proibido de voltar a candidatar-se a cargos políticos. É uma subida assinalável em relação à sondagem feita em Dezembro de 2019, nos dias que antecederam o primeiro processo de destituição de Trump, quando apenas 49% tinham a mesma posição.

Mas as diferenças mantêm-se quando se olha para a divisão das respostas entre republicanos e democratas, que é um melhor indicador do caminho que o país tem de fazer para reduzir as tensões.

Há 13 meses, 85% dos democratas e 12% dos republicanos diziam que Trump devia ser acusado e afastado da Casa Branca pelo Congresso; na sondagem da última semana, o fosso cresceu para 89%-12%. E o mesmo aconteceu no outro lado da equação: em 2019, 40 pontos separavam democratas e republicanos na opinião de que Trump não devia ser destituído (46%-86%); agora, 42% dos democratas e 85% dos republicanos mantêm a mesma opinião.

É na condenação ao ataque contra a Câmara dos Representantes e o Senado dos EUA que os dois lados se aproximam, ainda que a oposição entre o eleitorado republicano não seja unânime. A percentagem é maior no eleitorado democrata (98%) e menor no eleitorado republicano (80%), com valores elevados também em outras categorias: 87% (brancos); 93% (hispânicos); 94% (afro-americanos).

Os eleitorados voltam a afastar-se quando são questionados sobre quem deve ser apontado como o principal responsável pelo ataque contra o Capitólio, que fez cinco mortos. Ainda que uma pluralidade dos inquiridos aponte o dedo ao Presidente Trump (45%), só 12% são republicanos e 72% são democratas.

E a lealdade dos republicanos a Trump também se nota no apoio às queixas infundadas de fraude eleitoral generalizada, com 66% a dizerem que há provas de fraude – apesar de os tribunais terem descartado mais de 60 processos apresentados por advogados e apoiantes do Presidente dos EUA; de os 50 estados terem certificado os resultados; de o Colégio Eleitoral ter confirmado a vitória de Joe Biden; e de o Congresso ter ratificado todos os passos anteriores.

O indicador mais preocupante para os políticos do Partido Republicano que continuam a associar-se a Trump é o aumento significativo do número de inquiridos que gostavam de ver o partido seguir um rumo diferente nos próximos anos. Há três anos, apenas 18% dos republicanos diziam que o partido devia afastar-se de uma colagem total a Trump; agora, 35% dos inquiridos defendem que o Partido Republicano deve seguir um rumo diferente.

A sondagem para o Washington Post e para a ABC indica também que Trump igualou o seu máximo de desaprovação desde que chegou à Casa Branca, com 60% dos inquiridos a dizerem que o seu desempenho como Presidente dos EUA tem sido mau.

Apesar de ter registado uma taxa de desaprovação que nunca desceu dos 51% no seu ponto mais baixo, Trump só tinha chegado aos 60% em Agosto de 2018, na semana em que o seu antigo advogado pessoal, Michael Cohen, o acusou de pagar o silêncio de duas mulheres com quem teve relações extraconjugais, e em que o seu antigo conselheiro de campanha, Paul Manafort, foi condenado por oito crimes de fraude bancária e evasão fiscal.

E a maioria dos inquiridos (59%) diz também que Donald Trump vai ficar para a História como um Presidente dos EUA abaixo da média em comparação com os seus antecessores – um valor apenas comparável a George W. Bush (58% em Janeiro de 2009), e muito acima de Jimmy Carter (46% em Dezembro de 1980).

Em comparação, apenas 24% disseram o mesmo sobre Barack Obama (em Janeiro de 2017), 22% sobre Bill Clinton (em Janeiro de 2001) e 16% sobre Ronald Reagan (em Janeiro de 1989).