Taxa de juro média dos contratos à habitação caiu para menos de metade em 10 anos

Em 2020, valor médio anual fixou-se abaixo de 1%, o mais reduzido de sempre.

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Rui Gaudencio

A taxa de juro média anual implícita nos contratos de crédito à habitação fixou-se em 0,957%, em 2020, 10,3 pontos base abaixo do valor verificada em 2019. E ficou, pela primeira vez, abaixo de 1%, reflectindo a evolução cada vez mais negativa das taxas Euribor, mas também a redução progressiva dos spreads ou margem comercial dos bancos, nos últimos anos.

Em 2011, a taxa média estava em 2,403%, o que mostra a queda progressiva das duas componentes da taxa de juro da maioria deste tipo de empréstimos (taxa Euribor e spread), e por outro, a amortização de empréstimos mais antigos e a sua substituição por mais recentes.

Os dados divulgados esta terça-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram que o capital médio anual em dívida para o total do crédito à habitação passou de 52.940 euros (em 2019) para 54.240 euros no ano passado, ligeiramente abaixo dos 55.944 euros em 2011.

Ainda relativamente a 2020, a prestação média anual vencida para o total do crédito à habitação desceu 13 euros, para 233 euros, do ano anterior e abaixo dos 270 euros de há 10 anos.

De referir, no entanto, que a taxa de juro implícita a apurada em 2020 tem “impactos da adesão das famílias ao regime de moratória da prestação do crédito à habitação, que permitiu suspender o pagamento de crédito e juros numa parte significativa de contratos empréstimos com a finalidade de habitação.

No último mês do ano, a taxa de juro implícita desceu para 0,897%, contra 0, 918% no mês de Novembro. Nos contratos celebrados nos últimos três meses, a taxa de juro desceu de 0,857% em Novembro para 0,790% em Dezembro.