Câmara do Porto suspende parquímetros na Foz mas PS quer medida alargada a toda a cidade

O pagamento de estacionamento na zona ocidental foi interrompido na segunda-feira para “protecção dos residentes”, mas continua a ser cobrado no resto da cidade. Socialistas defendem que “razões invocadas” se estendem a “grande parte da área concessionada”.

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Câmara estuda novas medidas para zonas marginais e ribeirinhas Paulo Pimenta

“Devia ser em toda a cidade, eu trabalho na Boavista e nem sempre tenho estacionamento, tenho de pagar no parquímetro. É uma vergonha”, “Onde se trabalha, que se continue a pagar” e “Uma excelente forma de fomentar actividades à beira-mar” estão entre a torrente de críticas que, desde esta segunda-feira, se pode ler nas redes sociais sobre a suspensão do pagamento do estacionamento na via pública nas zonas da Foz, Aviz e Pinheiro Manso, o que não acontece nas restantes zonas da cidade, onde continua a ser cobrado. De acordo com o site oficial do município, que gere directamente esta área da zona ocidental da cidade enquanto a restante está concessinada, esta decisão integra um pacote de medidas destinado a “proteger o estacionamento dos moradores durante o confinamento”. O PS Porto diz-se “surpreendido com a decisão” e já questionou o executivo sobre a decisão, defendendo que a medida “deve abranger outras zonas [da cidade] com estacionamento pago”.

“Esta decisão prende-se com a necessidade de salvaguardar ao máximo quem tem de estar em casa”, justifica a Câmara do Porto. Relativamente à suspensão de pagamento do estacionamento nesta zona em particular, o município refere que esta “visa conferir uma maior liberdade aos residentes, numa época em que se antecipa uma redução substantiva da procura de estacionamento de rotação” e, adicionalmente, viabiliza a execução de “trabalhos conducentes à reorganização do estacionamento que se impunha por força das obras de repavimentação na zona da Foz e da criação de novas bolsas para residentes em toda a zona”. 

De fora ficam zonas como o Pólo Universitário da Asprela ou a baixa do Porto, que concentram grande parte das actividades, serviços e comércio da cidade e estão sob a alçada da concessionária EPorto. A existência de medidas contrárias em diferentes zonas da cidade levou os vereadores socialistas a questionar o executivo sobre a decisão, já que “as razões invocadas, sobretudo as que dizem respeito à protecção dos residentes, aplicam-se da mesma forma em grande parte da área concessionada com estacionamento pago”, apontam em comunicado enviado ao PÚBLICO. Em missiva dirigida ao presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, o PS Porto propõe que a cobrança de estacionamento seja suspensa também na área concessionada e mostra-se disponível para “viabilizar o acordo que será necessário estabelecer com o concessionário”. 

Também a página “Porto. O lado abandonado da cidade”, movimento cívico que se caracteriza como “uma espécie de associação de moradores sem filiação partidária” e agrega mais de 26 mil seguidores no Facebook, refere que “a cidade é toda uma e não pode haver dualidade de critérios no que toca ao estacionamento”. Até porque, argumentam, “não há turismo, o fluxo de trânsito diminuiu e o comércio está a sofrer como nunca”. “O estacionamento pago na rua deveria ser suspenso para todos os habitantes da cidade”, defendem. O grupo acredita que, dado o agravamento da situação pandémica, a utilização de veículo próprio em vez de transportes públicos para deslocação na cidade “deveria ser incentivada para abrandar a transmissão do vírus” e “não penalizada com estacionamento pago na baixa e no resto da cidade”. 

O movimento mostra-se, ainda, preocupado com os aglomerados na marginal da Foz neste novo confinamento. “A zona da Foz e a zona ribeirinha deveriam ser patrulhadas de forma a dissuadir as multidões”, afirmam. Em resposta ao PÚBLICO, a Câmara do Porto revela que “já estão a ser estudadas novas medidas para as zonas ribeirinhas” no sentido de “prevenir ajuntamentos nessas zonas”, que deverão estar “em conformidade com a regulamentação do diploma aprovado pelo Governo [em Conselho Extraordinário de Ministros].