Produção de seguros recua 18,7% em 2020, com forte contributo do ramo vida

Ramo vida caiu 34,8%, essencialmente devido à redução na subscrição e reforço de PPR. Ramo não vida cresceu 3%.

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Seguros de incêndio e outros danos entre os que cresceram no ano passado

A actividade seguradora sofreu uma forte contracção em 2020, explicada em grande parte pela pandemia de covid-19. O volume da produção (prémios pagos pelos subscritores) de seguro directo em Portugal foi de 9,9 mil milhões de euros, um decréscimo de 18,7% face ao ano anterior, revelou esta quarta-feira a Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF).

Os principais ramos da actividade seguradora mostraram evoluções contrárias: o ramo vida registou um decréscimo de 34,8%, tendência que se tem acentuado nos últimos anos, e o não vida cresceu apenas 3%.

Os dados (provisórios) da ASF, responsável pela supervisão prudencial de 88,9% das seguradoras em actividade em Portugal (cerca de 8,8 mil milhões de euros de produção), mostram que, no ramo vida, o peso dos planos de poupança reforma (PPR) diminuiu 19,3 pontos percentuais (de 44,8% em 2019 para 25,5% em 2020).

Esta evolução reflecte a queda de 62,9% verificada na sua produção, tendência que se verifica há vários anos, explicada pelo volume de resgates antecipados, possíveis em mais situações, e a menor subscrição de novos.

No ramo não vida, destacam-se os aumentos de 3,2% nos seguros de acidentes e doença (3,2%), de 4,3% nos de “incêndio e outros danos” e 2,1% no ramo e automóvel.

A Fidelidade continua a apresentar a maior quota de mercado do ramo vida nos últimos três anos, com 25,7% do mercado, tendo passado, em 2020, a liderar também o ramo não vida, com uma quota de mercado de 28,4%.

No ano passado, e no que respeita à estrutura do mercado das empresas de seguros sob supervisão prudencial da ASF, verificou-se uma diminuição de duas empresas de seguros, por fusão, e verificou-se a saída de três sucursais.

A ASF dá ainda conta que, no final do ano de 2020, o valor sob gestão de fundos de pensões atingiu 23 mil milhões de euros, um acréscimo de 5,5% face ao final de 2019. Em 31 de Dezembro do ano passado existiam 234 fundos de pensões sob gestão, tendo sido extintos dois fundos de pensões fechados, constituídos três fundos de pensões PPR, e um fundo de pensões fechado.