Universidades ponderam adiar exames e iniciar aulas online

Reitores vão propôr ao Ministério do Ensino Superior fazer mudanças ao calendário do ano lectivo, em resposta à evolução da pandemia.

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Nelson Garrido

O início do 2.º semestre lectivo nas universidades, que está previsto para a segunda quinzena de Fevereiro, pode ser antecipado para o final deste mês e com aulas à distância. Esta é uma das medidas que estão a ser estudadas pelo Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP) como resposta à evolução da pandemia. Os exames que estão a decorrer também podem ser adiados.

Um dos motivos para que o ensino superior tenha continuado em funcionamento durante o novo confinamento prende-se com o facto estar a decorrer o período de avaliações relativas ao 1.º semestre. Por isso, na generalidade das instituições não há aulas, apenas exames, o que reduz o número de pessoas nas instalações. Na maioria dos casos, a 1.ª chamada das provas já foi até finalizada ou ficará concluída esta semana.

Por isso, “os alunos que concluíram todos os exames vão estar em casa nas próximas semanas, até recomeçarem as aulas”, contextualiza o presidente do CRUP, António Sousa Pereira. Quem não foi aprovado terá exames de recurso, “mas o número de estudantes é mais reduzidos”. O também reitor da Universidade do Porto – que é médico de formação – entende que o ensino superior tem condições para continuar em funcionamento. No entanto, diz compreender “que com a situação de calamidade que se instalou no país, haja a tentação de fechar tudo”.

O CRUP está a trabalhar num plano alternativo, que quer apresentar nos próximos dias, “sem esperar pela próxima reunião do Infarmed”. As soluções estão a ser consensualizadas com o Ministério da Ciência e Ensino Superior. A intenção é emitir um conjunto de orientações, que cada universidade possa adaptar à sua realidade específica e ao seu próprio calendário académico, que é diferente de instituição para instituição.

As duas medidas centrais deste plano são complementares. Por um lado, os reitores admitem que os exames que ainda não tenham sido realizados sejam “adiados para a quando a situação pandémica permitir” a sua realização. O início das aulas do 2ª semestre seria antecipado para o final deste mês, duas a três semanas antes do que estava previsto. As aulas seriam leccionadas à distância, tal como aconteceu no ano passado.

“Não nos parece propriamente muito boa ideia fechar as universidades e deixar os estudantes sem aulas e sem exames”, justifica António Sousa Pereira. A antecipação do reinício das aulas serviria assim para evitar que, sem terem que estudar, os jovens acabassem por se juntar em momentos de convívios. A excepção a estas mudanças seriam os exames que já estava previsto serem realizados à distância e que manteriam o calendário original.

O Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos ainda não analisou a situação, mas o seu presidente, Pedro Dominguinhos, mostra “abertura” para uma “alteração de medidas em resultado deste crescimento significativo” do número de casos de covid-19 nos últimos dias em todo o país.

A transição para um regime de ensino à distância “não é o desejável”, sublinha aquele responsável, mas não seria uma novidade para o sector: “Se tiver que ser feito, fá-lo-emos sem problemas, tal como no ano passado, em que tivemos já um número significativo de disciplinas e as avaliações a acontecer à distância.”