Portugal não comprou todas as vacinas que podia. Infarmed diz que só chegavam no fim do ano

Portugal optou por não comprar 800 mil doses da vacina da farmacêutica Moderna. Outros países estão a adquirir estas doses.

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Portugal optou por não comprar estas doses porque estas só seriam enviadas no final do ano Daniel Rocha

Portugal não comprou todas as doses da vacina da farmacêutica Moderna a que tinha direito, adianta o Jornal de Negócios. O país podia ter adquirido 3,7 milhões de doses, mas optou por comprar menos 800 mil doses desta que é a vacina mais cara entre as seis negociadas pela Comissão Europeia.

Francisco Ramos, coordenador do plano nacional de vacinação para a covid-19, explicou ao jornal que “no primeiro contrato com a Moderna foram disponibilizadas 80 milhões de doses de vacinas para a União Europeia (UE), das quais Portugal adquiriu 1,8 milhões”, de acordo com a sua fatia populacional. Já no segundo contrato, “que garantiu 80 milhões de doses extras para a UE, Portugal entendeu adquirir apenas um milhão”. “Já nos sobram muitas doses”, justificou.

O presidente do Infarmed, Rui Santos Ivo, disse entretanto à TSF que Portugal optou por não comprar 800 mil doses da vacina da Moderna, porque estas só seriam enviadas no final do ano. “Olhámos para os prazos de entrega (...). Foi o que aconteceu em relação a essas doses que estavam licenciadas, uma vez que estava previsto que fossem entregues no final do ano de 2021. Havendo outras alternativas que chegariam bastante mais cedo, houve um reforço doutras vacinas e não desta”, explicou.

Rui Santos Ivo garante que o país já conta com vacinas suficientes para imunizar toda a população. “Neste momento, temos contratadas mais de 30 milhões de doses. Portanto, é já um volume que ultrapassa significativamente as nossas necessidades, assumindo aqui que estamos a administrar sempre duas doses – embora haja uma das vacinas em que prevemos que seja necessária apenas uma dose”, sublinhou.

À semelhança de Portugal, também a Bélgica, Polónia, Bulgária e Grécia optaram por não comprar a totalidade das vacinas da Moderna. De acordo com o Politico, jornal com sede em Bruxelas que adiantou a notícia, países como a Alemanha, França e Dinamarca estão a adquirir as vacinas que os outros Estados-membros dispensaram.