Portugal tem cerca de 70 bibliotecas itinerantes com novas perspectivas

As bibliotecas móveis nunca perderam o seu espaço e estarão, inclusivamente, numa fase de expansão.

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No início da década de 60, o projecto da Fundação Calouste Gulbenkian de criação de uma rede de bibliotecas itinerantes foi muito importante para promover a leitura e o conhecimento em muitas regiões do interior. Já na década de 90, com a evolução social e tecnológica do País, o projecto foi progressivamente reduzido e a Calouste Gulbenkian passou a apoiar a criação de bibliotecas municipais. Ainda assim, as bibliotecas móveis

nunca perderam o seu espaço e estarão, inclusivamente, numa fase de expansão. “Não conheci pessoalmente o senhor Dinis, mas é uma referência. No mundo das bibliotecas itinerantes todos têm uma grande admiração pelo senhor Dinis. Tinha uma relação fabulosa com as comunidades”, salienta a vila-franquense Maria José Vitorino, antiga coordenadora da Rede de Bibliotecas Escolares na zona centro-sul do país, vincando que a Gulbenkian começou a desactivar a rede de bibliotecas itinerantes em 1993, passando a apoiar a rede nacional de bibliotecas públicas. As antigas e emblemáticas carrinhas Citroen foram, então, entregues aos municípios, muitas desactivadas, mas Maria José Vitorino sublinha que uma delas foi recuperada e está ao serviço no concelho do Bombarral e que outra continua, também, ao serviço na Ilha do Pico.

Nuno Marçal tem ajudado a dinamizar o projecto do Bibliomóvel da Câmara de Proença-a-Nova e sustenta, em declarações ao PÚBLICO, que esta área das bibliotecas itinerantes até está em expansão. Em 2020 começaram a funcionar mais três bibliotecas móveis e, para este ano, está prevista mais uma.

“As bibliotecas móveis, hoje em dia, são muito mais que bibliotecas itinerantes pois têm que se adaptar à realidade dos sítios em que estamos. Em vez de promoverem só os livros e a leitura, têm que oferecer mais coisas e mais serviços. No caso de Proença-a-Nova, implementámos em 2016/2017 um espaço de loja móvel do cidadão, destinado aos serviços municipais. E temos um ATM multibanco, onde as pessoas podem pagar a água, a luz e outras coisas. Tem tudo a ver com a nova literacia e com a ligação dos cidadãos ao Estado, que é quase tudo na forma digital”, constata Nuno Marçal, frisando que estas unidades móveis podem, também, dar apoio à população na área da saúde ou no preenchimento das declarações de IRS, por exemplo, porque percorrem zonas distantes dos grandes centros, com acessos difíceis e poucos (ou nenhuns) transportes públicos.

“Em zonas mais periféricas, este tipo de serviços faz todo o sentido, pensando nas três valências: a questão da biblioteca que promove os livros e a leitura, juntando com a unidade móvel de saúde e com as questões da vertente mais burocrática”, defende Nuno Marçal, sublinhando que este apoio é fundamental nestas zonas com boa qualidade de vida, mas onde muitas vezes falha a própria Internet e as pessoas têm muita dificuldade de acesso a determinados serviços.

Actualmente, de acordo com o site “A Nave Voadora”, Portugal terá um pouco mais de 70 bibliotecas itinerantes. Destacam-se os distritos de Viseu (9), Porto (8), Aveiro (8) e Beja(5). Distritos populosos como Lisboa (3), Braga (3) e Setúbal (2) têm bastante menos projectos deste tipo.