Covid-19: Portugal tem o índice de contágio mais baixo da Europa

André Peralta Santos, da Direcção-Geral da Saúde (DGS), avançou na tarde desta segunda-feira que a incidência de novos contágios teve uma “descida muito significativa”. Incidência está a descer em todas as faixas etárias — é mais elevada acima dos 80 anos. Portugal tem o índice de transmissibilidade mais baixo desde o início da pandemia.

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Hospital de São João, Porto Manuel Roberto

Portugal tem neste momento o valor de R(t) abaixo de 1 em todas as regiões do país e o índice de contágio também é o mais baixo da Europa. A incidência da doença está a descer em todas as faixas etárias. Apesar da descida destes indicadores, a ministra da Saúde sublinhou que não é ainda altura de discutir datas para o desconfinamento. Estas e outras conclusõesforam transmitidas esta segunda-feira na reunião entre peritos e governantes no Infarmed.

Marta Temido chamou a atenção para o número de doentes internados que Portugal ainda tem e para os cuidados necessários que é preciso alocar a outras patologias. “Este é o momento de nos concentrarmos em conter a transmissão da doença, em melhorar aquilo que é a resposta a outras áreas que não a área covid-19, em apostar na rapidez do processo de vacinação e na protecção dos mais frágeis e vulneráveis”.

Segundo Baltazar Nunes, a estimativa para o índice de transmissibilidade R(t) da covid-19 em Portugal é de 0,67, entre 13 e 17 de Fevereiro — “O valor mais baixo que estimamos desde o início da epidemia”, disse. “O valor do Rt encontra-se abaixo de 1 em todas as regiões do continente e regiões autónomas e nos últimos cinco dias tem-se observado uma estabilização do valor do Rt em torno de 0,66 e 0,68”, acrescentou. De acordo com o especialista, Portugal tem agora o valor do R(t) mais baixo da Europa. “Se continuarmos, é possível continuar a descer a uma velocidade acentuada.”

Portugal teve descida “muito significativa da incidência”

Apresentando os dados relativos à incidência da covid-19 a 14 dias por cada cem mil habitantes, André Peralta Santos, da Direcção-Geral da Saúde (DGS), começou por mostrar o gráfico correspondente à última reunião, altura em que Portugal já estava “numa fase de descida, mas ainda com uma incidência muito alta”. “Houve uma consolidação dessa tendência e uma descida muito significativa e expressiva da incidência do número de novos casos. Estamos, ao dia 20, com uma incidência de 322 casos por cem mil habitantes”, disse.

Peralta Santos avançou ainda que se mantém a tendência de descida da incidência da doença em todos os grupos etários. “O grupo com mais de 80 anos é neste momento o que tem uma maior incidência, apesar de tudo muito mais reduzia e com níveis de incidência ao nível do que tínhamos em Novembro, o que é de assinalar como positivo”, indicou o especialista da DGS.

Esta 16.ª reunião no Infarmed realizou-se uma semana antes da nova renovação do estado de emergência. O actual período termina às 23h59 de 1 de Março e a próxima renovação vigorará entre 2 e 16 de Março.

Ao abrigo do estado de emergência, o Governo impôs um dever geral de recolhimento domiciliário e a suspensão de um conjunto de actividades a 15 de Janeiro. As escolas foram entretanto encerradas a 22 de Janeiro, primeiro com uma interrupção lectiva por duas semanas, e depois com o regresso das aulas à distância.

No dia em que foi decretado o actual estado de emergência, o primeiro-ministro, António Costa, afirmou que será preciso manter o confinamento geral “ainda durante o mês de Março” e que não era o momento “para começar a discutir desconfinamentos totais ou parciais”.

Já Marcelo Rebelo de Sousa apontou como meta até à Páscoa, no início de Abril, a redução do número de novos casos diários de infecção “para menos de dois mil”, de modo que “os internamentos e os cuidados intensivos desçam dos mais de cinco mil e mais de oitocentos agora para perto de um quarto desses valores”.

Portugal teve, desde a passada segunda-feira, uma média de 1744 novos casos de infecção e de 91 mortes por dia. Neste domingo, registaram-se 549 casos de infecção, o número mais baixo desde 6 de Outubro. Segundo os últimos dados da DGS, existiam 3322 pessoas internadas, 627 destas nos cuidados intensivos.

Quanto a um possível desconfinamento, a ministra de Estado e da Presidência, Mariana Vieira da Silva, confirmou no sábado que começará pelas escolas, referindo que o Governo, a começar pelo ministro da Educação, já havia manifestado essa intenção.