Câmara de Beja plantou 183 árvores oferecidas pela Força Aérea. Metade já foi roubada ou destruída

Deveriam ter sido plantadas pelos pilotos militares durante o festival aéreo Tiger Meet mas a pandemia suspendeu o evento e o acto simbólico programado para Maio passado.

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No dia 23 de Novembro, o parque urbano da cidade de Beja recebeu um acréscimo de 183 árvores, na sua maioria choupos e loureiros, oferecidos pela Força Aérea Portuguesa. Consumava-se assim, e com a presença do presidente da autarquia, Paulo Arsénio, e do comandante da Base Aérea nº 11, coronel Paulo Costa, o acto simbólico que deveria ter sido concretizado por dezenas de pilotos militares oriundos de vários países que não estiveram presente no festival aéreo da NATO, Tiger Meet, programado para Maio, que a pandemia do covid-19 obrigou a suspender. Mas a plantação foi alvo de vandalismo e o parque ficou decapitado.

Tanto o autarca como o militar que fizeram questão de participar na plantação dos exemplares oferecidos pela Força Aérea realçaram, na circunstância, a importância de, num futuro a 10/15 anos. Beja iria dispor de um frondoso bosque de choupos e loureiros. No entanto, o futuro do bosque não se afigura tão denso como antecipado. Os trabalhadores que têm tratado das plantas relataram que “metade das árvores” já tinham desaparecido. “Umas foram arrancadas e levadas para outros lados”, mas também se encontram exemplares partidos e deixados no parque urbano da cidade, uma zona verde instalada da periferia da cidade no local. As que se mantêm estão viçosas, sobretudo o que resta dos loureiros plantados, uma árvore cujas folhas têm uma presença habitual nos cozinhados portugueses.  

Paulo Arsénio tomou conhecimento pelo PÚBLICO dos actos de vandalismo que reduziram a cerca de metade o número das árvores que ajudou a plantar. “Tínhamos a expectativa que nem todos os exemplares conseguiriam vingar mas nunca imaginámos a devassa que aconteceu”, admitiu o autarca desagradado com falta de civismo.

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Também o coronel Paulo Costa ficou “surpreendido” com o que aconteceu às árvores, lamentando o comportamento de quem não respeita um bem público, frisando que foram doadas à Câmara de Beja, 350 árvores. Em Novembro foram plantadas 183 e as restantes “encontram-se no viveiro municipal”. O que aconteceu às árvores plantadas avisou o autarca para a necessidade de as manter guardadas mais algum tempo, antes do transplante, até atingirem maior envergadura que evite o seu furto, como está a acontecer no local onde está projectado instalar o almejado bosque que virá a ser “uma zona pedonal e de lazer”.

A decisão de doar à cidade de Beja as 350 árvores que deveriam ser plantadas pelos pilotos de 22 esquadras de voo que trariam a Beja mais de 100 aeronaves militares de 16 países da NATO foi tomada para salvaguardar os exemplares que assim se perderiam. O festival foi adiado na sequência da pandemia, na expectativa de que poderia ser realizado posteriormente. Mas a intensidade e a gravidade dos surtos com a covid-19 agravaram-se, impossibilitando a marcação de uma data para a realização do exercício militar e, desta forma, as árvores que se encontravam envasadas corriam o risco de se perder. Não foram os militares a plantá-las mas manteve-se o propósito final do evento: contribuir para a pegada ecológica com um gesto simbólico, mantendo-se intactas as preocupações de natureza ambiental que iriam dominar a organização do Tiger Meet.

Fica a aguardar-se que a imunidade global à covid-19 permita que a sua realização regresse a Beja, à Base Aérea nº11, onde já decorreu em 1987, 1996 e 2002. Espera-se, então, e com segurança, tornar possível reunir as mais de 100 mil pessoas que a organização do festival se preparou para acolher e assim poder assistir às evoluções dos Tornado alemães e italianos, os Mirage franceses e os F-16 de vários países incluindo Portugal. E ver a performance dos americanos, que já fizeram evoluir nos céus de Beja os seus A/OA-10 Thunderbolt II, o avião invisível Lockheed 117 Nighthawk, o bombardeiro B-52, e o bombardeiro B-1, esguio, barulhento, cinzento, a fazer lembrar uma ave de rapina.