Jamal Musiala, o prodígio que colecciona recordes

O jovem médio do Bayern Munique, que optou esta semana por jogar pela Alemanha, tornou-se no mais jovem de sempre a marcar na Liga dos Campeões

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Reuters/ALBERTO LINGRIA

Para alguns, o nome já não é estranho, mas é provável que muitos adeptos de futebol, ao assistirem, na passada terça-feira, à goleada do Bayern Munique sobre a Lazio (1-4), na primeira mão dos oitavos-de-final da Liga dos Campeões, se tenham questionado: “Quem é este miúdo franzino que marcou o segundo golo?” A resposta é Jamal Musiala, o novo prodígio do futebol alemão que vai coleccionando recordes: mais jovem a jogar (17 anos e 115 dias) e a marcar (17 anos e 205 dias) pelo Bayern na Bundesliga; mais jovem de sempre a marcar na Liga dos Campeões (17 anos e 362 dias).

O porte físico não impressiona para atleta de alta competição - apenas 68 quilos a suportarem 180 centímetros de altura -, mas quase tudo o resto - velocidade, drible, técnica, passe e remate - em Jamal Musiala parece ser rastilho para que o “42” do Bayern seja “the next big thing” do futebol mundial. E o potencial inquestionável deste médio ofensivo, que atinge sexta-feira a maioridade, combinado com a sua história de vida, resultou num braço-de-ferro entre alemães e ingleses, que os germânicos parecem ter levado a melhor - Musiala anunciou terça-feira que optou por representar a “Mannschaft”.

Filho de pai nigeriano e mãe alemã, Musiala nasceu em Estugarda e cresceu em Fulda, onde começou por jogar no modesto TSV Lehnerz. Porém, com sete anos mudou-se para Southampton, para onde a mãe foi estudar, e, durante quatro meses, chegou a estar na academia do clube do Sul de Inglaterra. A ligação, no entanto, foi fugaz.

Detectado pelo “olheiros” do Chelsea, Musiala mudou-se para o Norte de Londres, onde começou a ser trabalhado na melhor “fábrica” de talentos no futebol inglês, e não demorou a impor-se.

Com aptidões fora do comum, o médio fez a estreia pelos sub-18 dos “blues” com apenas 15 anos, dois meses e 13 dias, altura em que já estava no meio de uma “guerra” de nacionalidades: Musiala começou por representar a Inglaterra nos sub-15 e sub-16, jogou depois pela Alemanha, também em sub-16, regressando em 2019 à selecção inglesa, nos sub-17.

Todavia, no Verão de 2019 o rumo da história de Musiala mudou. Tal como o Borussia Dortmund, que dois anos antes foi a Manchester “roubar” Jadon Sancho ao City, o Bayern aproveitou uma ocasião única para assumir também o papel de “ladrão”. Com o “Brexit” a criar mais dúvidas do que certezas – os pais dos jogadores não têm nacionalidade britânica -, Musiala e Bright Arrey-Mbi (fez esta época um jogo na Liga dos Campeões), em final de contrato, aceitaram a proposta do Bayern para regressarem, aos 16 anos, ao país onde nasceram.

“Com o Jamal e o Bright, garantimos dois promissores talentos. Ficamos convencidos com as capacidades e o potencial de desenvolvimento que têm”, disse na altura Jochen Sauer, responsável pelo Bayern Campus, a academia dos alemães. Menos de dois anos depois, restam poucas dúvidas que, pelo menos com Musiala, o Bayern acertou no jackpot – do lado inglês, a perda a “custo zero” do médio deve estar a ser difícil de digerir por Roman Abramovich.

Para Musiala, no entanto, a escolha foi fácil – “Se há interesse de um clube alemão tão grande, não podes dizer que não” -, e a adaptação à Baviera também. Depois de oito jogos nos sub-17 (média de um golo ou assistência a cada 105 minutos), o adolescente fez sua estreia profissional na terceira divisão alemã, pela segunda equipa do Bayern, e, na terceira partida, marcou dois golos, estabelecendo o primeiro recorde: mais jovem a marcar na competição (17 anos e 104 dias).

Sebastian Hoeneß, treinador da equipa secundária estava rendido ao talento e personalidade de Musiala – “Este rapaz é gelo. Se falares com ele antes do jogo, está concentrado, calmo e reservado” – e, 11 dias depois, o médio substituiu Thomas Muller, aos 88’, em jogo da 33.ª jornada da Bundesliga 2019/20.

A partir daí, Musiala passou a trabalhar de perto com Hans-Dieter Flick e, esta época, o médio passou a ser uma peça importante para o treinador. Apesar da idade, Musiala leva já 25 jogos (oito a titular), entre Bundesliga, Taça da Alemanha, Liga dos Campeões e Mundial de Clubes, e marcou quatro golos, o último dos quais na terça-feira, contra a Lazio.

A titularidade e o golo na Liga dos Campeões são mais condimentos para temperar o interesse de “grandes” europeus em Musiala, mas, sexta-feira, o Bayern deve acabar com as esperanças de clubes como o Liverpool ou o Manchester United: no dia em que completa 18 anos, Musiala deve assinar um contrato de cinco anos com os bávaros, a troco de um pouco mais de 450 mil euros por mês.