Nova vaga da pandemia coloca emprego ao nível mais baixo desde Junho

O mercado de trabalho está a ressentir-se da quebra da actividade económica trazida pela nova vaga da economia. Perderam-se mais de 125 mil empregos entre os meses de Novembro e Janeiro.

Foto
Nelson Garrido

A nova quebra da actividade económica registada em Portugal a partir do final do ano passado está a produzir efeitos negativos no mercado de trabalho, com o nível do emprego a recuar para próximo dos níveis atingidos no segundo trimestre de 2020, quando a economia portuguesa caiu a pique.

De acordo com as estimativas mensais publicadas nesta quarta-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) para o mercado de trabalho, o número de empregos em Portugal registou, nos dados corrigidos dos efeitos da sazonalidade, diminuições acentuadas tanto em Dezembro como em Janeiro.

Em Dezembro, mês para os quais os dados do INE são já definitivos, verificou-se uma perda de cerca de 38 mil empregos, ou 0,8%. Em Janeiro, de acordo com os dados ainda provisórios, a diminuição do número de empregos atingiu os 79 mil, ou 1,7%.

A quebra registada em Janeiro, caso se venha a confirmar, é a mais acentuada de toda a série do INE com excepção do passado mês de Maio, período em que a actividade económica em Portugal se contraiu profundamente por causa do início da pandemia e da adopção das medidas de confinamento.

Agora, tal como no segundo trimestre de 2020, as medidas de confinamento estão a provocar o mesmo tipo de resultados no mercado de trabalho, interrompendo a tendência de retoma na criação de emprego que se tinha registado entre Junho e Novembro.

De acordo com os dados agora reportados pelo INE, Portugal caiu, em Janeiro, abaixo da barreira dos 4,7 milhões de empregos, registando o valor mais baixo desde o passado mês de Junho. Em Janeiro deste ano, contabilizaram-se menos 170 mil empregos do que em igual mês de 2020, antes da pandemia, uma quebra de 3,5%.

De notar que a quebra não é maior e mais próxima da contracção registada no PIB porque entre as pessoas empregadas contabilizadas pelo INE se encontram também aquelas a quem está a ser aplicado o regime de layoff, que lhes permite, com o apoio do Estado, manter uma parte do rendimento, mesmo podendo não estar temporariamente a exercer as suas funções.

Quando se olha para a taxa de desemprego, não é tão evidente o desempenho negativo registado no mercado de trabalho em Dezembro e Janeiro. Em Dezembro, este indicador até caiu, de 7,1% para 6,8% da população activa, voltando depois a subir em Janeiro para 7,2%. O mesmo acontece com a taxa de subutilização do trabalho (uma medida mais alargada de desemprego), que caiu de 14% para 13,7% em Dezembro, subindo para 14,2% em Janeiro.

Este efeito moderado na taxa de desemprego é explicado pelo facto de, em períodos de confinamento, a procura de emprego ficar dificultada por questões de ordem prática (como a não realização de entrevistas). E se uma pessoa declarar ao INE não ter efectuado, no último mês, qualquer resposta efectiva a uma oferta de emprego, não é contabilizada como desempregada, sendo antes incluída dentro da população inactiva.

De facto, em Dezembro e Janeiro, registou-se, tal como já tinha acontecido no início da pandemia, uma subida muito significativa da população inactiva, que aumentou em cerca de 125 mil pessoas entre Novembro e Janeiro. A taxa de inactividade passou de 33,6% em Novembro para 34,4% em Dezembro, subindo depois para 35,2% em Janeiro.