Partido de Viktor Orbán abandona a bancada parlamentar do Partido Popular Europeu

Bancada de centro-direita no Parlamento Europeu aprovou uma alteração às regras internas que permitiria a expulsão do Fidesz.

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O anúncio da saída foi feito pelo primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán JOHN THYS / POOL

O partido do primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, anunciou esta quarta-feira que vai abandonar a bancada do Partido Popular Europeu (PPE), depois de os deputados do grupo de centro-direita terem aberto a porta à sua expulsão.

A saída do Fidesz da maior bancada do Parlamento Europeu terá como consequência uma redução da influência de Orbán sobre Bruxelas, que o acusa de pôr em causa os valores defendidos pela União Europeia em relação ao Estado de direito e aos direitos humanos.

“Venho por este meio informá-lo que os eurodeputados do Fidesz se demitem do Grupo do PPE”, disse Viktor Orbán numa carta enviada esta quarta-feira ao presidente da bancada, o alemão Manfred Weber, publicada no Twitter pela vice-presidente do partido húngaro, Katalin Novak.

Numa reunião celebrada esta quarta-feira de manhã, o grupo do PPE – que integra o PSD e o CDS-PP – aprovou por maioria qualificada as novas regras internas, “de forma a adaptá-las ao actual funcionamento do Grupo, nomeadamente para permitir um bom funcionamento à distância”, mas que também especificam novos procedimentos relativos às condições para as suspensões e exclusões, que passam a abranger delegações inteiras e não apenas deputados. Uma medida que abria a porta à possível suspensão do Fidesz.

Este desfecho parece colocar um ponto final num longo mal-estar na bancada do PPE, da qual o Fidesz estava suspenso há dois anos – desde Março de 2019 –, por várias posições consideradas antieuropeias e medidas, ao nível governamental, julgadas atentatórias aos direitos fundamentais, o que levava muitos membros do PPE a reclamarem a sua expulsão.