Professores pressionam Governo para vacinação rápida e antes de um regresso presencial às aulas

Fenprof estima que o universo total de professores e de funcionários, do ensino público e privado, ronde as 250 mil pessoas. Mas admite prioridade a um grupo menor, de dez mil professores e funcionários.

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Nelson Garrido

A vacinação contra a covid-19 dos professores e funcionários das escolas era há muito reivindicada pela comunidade escolar e foi com alguma satisfação que o sector ouviu a ministra da Saúde admitir que a medida está a ser ponderada.

Marta Temido afirmou, numa entrevista à SIC, nesta terça-feira, que os professores e o pessoal não docente possam ser incluídos como prioritários na vacinação contra a covid-19, considerando que as escolas são um “serviço essencial”. “Quando falamos de serviços essenciais – e as escolas são, de alguma forma, na nossa abordagem social, um serviço essencial –, poderá fazer sentido que os adultos que trabalham nestes locais tenham uma vacinação diferenciada”, afirmou a ministra da Saúde.

Os sindicatos concordam, mas alertam para a importância de essa decisão ser rapidamente tomada e que a primeira toma da vacina ocorra antes de um regresso presencial às aulas.

Vacinar todos os professores e funcionários escolares seria o ideal, diz ao PÚBLICO o secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof)Este universo ronda as 250 mil pessoas, estima. Mas se tiverem de ser definidas prioridades, Mário Nogueira não tem dúvidas: “Devem ser aqueles, professores e funcionários, que nunca saíram da escola. Estou a falar dos que pertencem ao grupo de intervenção precoce, que asseguram a educação especial e o funcionamento das escolas de acolhimento, entre outros casos de excepção, nomeadamente de apoio aos alunos que não dispõem de Internet ou computador em casa para poderem acompanhar as actividades lectivas.” Estes não devem ir além dos dez mil no total, calcula o líder da Fenprof.

Mário Nogueira espera que a possibilidade admitida por Marta Temido seja mesmo “uma certeza” e que dentro de semanas não surja uma ideia em contrário. “Não queremos que isto seja como as obras de Santa Engrácia, que nunca mais acontecem”, afirma, recordando que a Fenprof formalizou a proposta de vacinação prioritária três vezes junto do Ministério da Educação, mas que nunca obteve resposta.

“Esta é uma das medidas que consideramos fundamental para que as escolas possam abrir e manter-se abertas”, afirmou, acrescentando que também seria importante investir em testes e distanciamento nas salas de aulas, o que considera ter falhado no primeiro período.

A vacinação dos professores na primeira fase também está a ser implementada noutros países, referiu Mário Nogueira, dando como exemplo a Espanha, o Chile, os EUA, a Alemanha e o Reino Unido. “E a vacinação dos professores é recomendada por entidades internacionais como a ONU e a Unicef”, afirmou.

Fátima Ferreira, da Associação Sindical dos Professores Licenciados (ASPL), também viu como positiva a intenção revelada pela ministra da Saúde. E lembrou que, desde Novembro, a ASPL tem vindo a apelar à inclusão dos professores como prioritários no plano de vacinação. Ainda em Janeiro, a ASPL veio defender que os professores e educadores de infância “estão particularmente expostos”, sendo “impossível cumprir as regras de distanciamento físico impostas pela Direcção-Geral da Saúde, na esmagadora maioria das escolas, designadamente nas salas de aula”.

Também perante uma eventual necessidade de definição de prioridades, Fátima Ferreira entende que se deve dar prioridade a professores e funcionários escolares que têm mantido as escolas abertas.

O secretário-geral da Federação Nacional da Educação (FNE), João Dias da Silva, que, além dos professores, representa pessoal não docente, disse à Lusa que a estrutura sindical regista “positivamente a afirmação” de Marta Temido e que gostaria que fosse “definitiva” e não fosse apenas “apresentada como uma possibilidade”.

O presidente da Associação Nacional de Directores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP) aplaudiu também essa possibilidade, considerando que seria essencial para o regresso ao regime presencial. “Queremos regressar à escola com saúde e em segurança, por isso, ficámos satisfeitos com aquilo que ouvimos da ministra da Saúde”, disse à Lusa Filinto Lima.

A vacinação dos professores já está a ocorrer em países como o Chile e a Espanha. O Chile começou a vacinar os seus professores escolares contra o coronavírus no dia 15 de Fevereiro, segundo a agência France Press, precisamente com o objectivo de retomar as aulas presenciais em Março. Em Espanha, os professores também começaram a ser vacinados no último fim-de-semana.