Fotogaleria

Resiliência: o mote da “cidade moribunda” em Itália que está em risco de colapso

Uma criança corre em direcção à entrada da Civita di Bagnoregio, acessível apenas por uma ponte e conhecida como "a cidade em extinção" devido à sua susceptibilidade à erosão e aos deslizamentos de terra REUTERS/Guglielmo Mangiapane
Fotogaleria
Uma criança corre em direcção à entrada da Civita di Bagnoregio, acessível apenas por uma ponte e conhecida como "a cidade em extinção" devido à sua susceptibilidade à erosão e aos deslizamentos de terra REUTERS/Guglielmo Mangiapane

Auto-intitular-se “cidade moribunda” pode não parecer a melhor forma de atrair visitantes, mas a Civita aprendeu a ganhar a vida... com a morte. Em sentido contrário a Veneza e outros destinos turísticos em Itália, a cidade medieval a 120 quilómetros de Roma quis atrair turistas com um chamariz difícil de resistir: em poucos anos, poderá colapsar e desaparecer.

Há séculos, a cidade era muito maior e ligada por estrada a outras povoações. Deslizamentos de terra, terramotos, fendas e a erosão reduziram drasticamente o seu tamanho e deixaram-na espectacularmente sozinha no topo de um esporão. Quando as nuvens estão baixas, Civita parece um castelo a flutuar. Num dia claro, a rocha sobre a qual repousa assemelha-se a um bolo multi-camadas.

Resistiu durante tanto tempo à morte definitiva que Itália nomeou a cidade e área circundante de penhascos e vales a Património Mundial da UNESCO. “O nosso lema é resiliência porque Civita foi fundada pelos Etruscos, passou pela era romana e por todo o período medieval para chegar aos dias de hoje”, conta Luca Profili, 32 anos, presidente da câmara de Bagnoregio, da qual Civita faz parte.

Nas cavernas subterrâneas de rocha vulcânica macia, conhecida como tufo, traves de aço mantêm as paredes unidas. “Durante três milénios, a erosão regressiva reduziu praticamente a Civita a um núcleo, deixando a praça e algumas ruas à sua volta, explica Luca Costantini, 49 anos, geólogo que faz parte do projecto para monitorizar e abrandar a erosão. 

Este lugar é tão frágil, resume. A Civita que hoje resta é maioritariamente do período medieval e mede cerca de 152 metros por 91, menos de dois campos de futebol. A praça principal tem aproximadamente o tamanho de um campo de basquetebol. 

Antes da pandemia, Civita era uma atracção para turistas que viajavam entre Roma e Florença. Sinais rodoviários direccionam os visitantes para Civita - A Cidade Moribunda, com cerca de dez a 14 residentes, dependendo da estação do ano. 

Stefano Lucarini, 29 anos, comprou um restaurante em Março de 2020, poucos dias antes do primeiro confinamento. O timing não foi óptimo, brinca. Mas está optimista que, depois da pandemia, a cidade poderá voltar a pôr-se de pé. Durante mais uns bons anos.

O geólogo Luca Costantini mostra fendas na rocha debaixo da Civita di Bagnoregio,O geólogo Luca Costantini mostra fendas na rocha debaixo da Civita di Bagnoregio
O geólogo Luca Costantini mostra fendas na rocha debaixo da Civita di Bagnoregio,O geólogo Luca Costantini mostra fendas na rocha debaixo da Civita di Bagnoregio REUTERS/Guglielmo Mangiapane
Um extensómetro utilizado para vigiar a eficácia das medidas postas em prática para proteger a cidade
Um extensómetro utilizado para vigiar a eficácia das medidas postas em prática para proteger a cidade REUTERS/Guglielmo Mangiapane
Uma residente faz uma pausa enquanto atravessa a ponte que liga o continente à cidade em desaparecimento
Uma residente faz uma pausa enquanto atravessa a ponte que liga o continente à cidade em desaparecimento REUTERS/Guglielmo Mangiapane
REUTERS/Guglielmo Mangiapane
Pessoas bebem sentadas nos degraus de uma igreja em Civita di Bagnoregio
Pessoas bebem sentadas nos degraus de uma igreja em Civita di Bagnoregio REUTERS/Guglielmo Mangiapane
Uma casa parcialmente danificada é vista em Civita di Bagnoregio
Uma casa parcialmente danificada é vista em Civita di Bagnoregio REUTERS/Guglielmo Mangiapane
O funcionário da manutenção da cidade limpa a praça principal
O funcionário da manutenção da cidade limpa a praça principal REUTERS/Guglielmo Mangiapane
Uma residente acena ao passar pela praça principal da Civita di Bagnoregio
Uma residente acena ao passar pela praça principal da Civita di Bagnoregio REUTERS/Guglielmo Mangiapane
Um gato senta-se em frente a um café fechado
Um gato senta-se em frente a um café fechado REUTERS/Guglielmo Mangiapane
REUTERS/Guglielmo Mangiapane
As varas de aço que foram colocadas entre a rocha para ajudar a segurar a cidade e impedir o seu colapso
As varas de aço que foram colocadas entre a rocha para ajudar a segurar a cidade e impedir o seu colapso REUTERS/Guglielmo Mangiapane
REUTERS/Guglielmo Mangiapane
O presidente do município de Civita di Bagnoregio
O presidente do município de Civita di Bagnoregio REUTERS/Guglielmo Mangiapane
REUTERS/Guglielmo Mangiapane
Sugerir correcção