Cidade de cana e palha: mais de 70 mil deslocados de Cabo Delgado permanecem transitórios

O campo de 25 de Julho é uma imensidão de tendas feitas com o material que a terra dá e cobertas por lonas das agências humanitárias. Devia ser transitório, mas está a tornar-se cada vez mais permanente.

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Não deixa de ser irónico que nos maços de tabaco Zambeze, aparentemente a única marca à venda no campo de deslocados de 25 de Julho, em Metuge, província de Cabo Delgado, se leia em letras garrafais pretas sobre fundo branco: “Fumar faz mal à saúde!” Dadas as circunstâncias precárias em que vivem mais de 70 mil pessoas que fugiram do conflito no Norte de Moçambique, sem condições mínimas de subsistência e sobrevivendo com ajuda humanitária das agências da ONU e dos Médicos Sem Fronteiras (MSF), a possibilidade de vir a adoecer com um cancro de pulmão estará muito abaixo na lista de preocupações dos deslocados.

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