Novo Banco consegue lucros de 70 milhões após reestruturação

O banco regressou aos lucros nos primeiros três meses do ano, período em que a pandemia custou 21,8 milhões.

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Nuno Ferreira Santos

No primeiro trimestre deste ano, o Novo Banco conseguiu obter um resultado positivo de 70,7 milhões de euros, o primeiro desempenho registado depois de ter fechado o período de reestruturação que custou injecções totais de 3400 milhões de euros por parte do Fundo de Resolução.

Segundo o comunicado divulgado, esta segunda-feira, ao mercado, “a evolução do resultado líquido foi suportado por um crescimento da margem financeira de +12,0%, pela evolução positiva dos resultados de operações financeiras (52,8 milhões), pela redução nos custos operativos (-5,1%) e pela redução das imparidades de crédito (-84,0 milhões face ao período homólogo)”.

Se não se tiver em conta o impacto positivo das operações financeiras, bem com “a imparidade adicional registada no trimestre no âmbito do actual contexto covid-19 (de 21,8 milhões)”, o resultado líquido do banco liderado por António Ramalho é também positivo, mas nos 39,6 milhões de euros.

Este desempenho trimestral já havia sido antecipado pelo presidente-executivo do banco, que procurou dessa forma marcar o fim do processo de reestruturação, cujo custo ascendeu aos 3400 milhões de euros através das injecções do Fundo de Resolução, com impacto nas contas públicas.

No primeiro trimestre, o crédito concedido pelo Novo Banco sofreu reduções ligeiras em todas as componentes, inclusive empresas (-16%). Sobre moratórias, a instituição financeira destaca que atingem 6,6 mil milhões de euros, “representando cerca de 27% da carteira de créditos a clientes”, ao passo que as linhas de crédito garantidas para empresas chegaram aos 1,1 mil milhões de euros “dos quais cerca de 93% já desembolsados”.

“As moratórias concedidas, no âmbito do quadro legislativo, abrangem cerca de 32% da carteira de crédito a empresas, 20% da carteira de crédito habitação e 15% da carteira de outros créditos a particulares, apoiando cerca de 39.000 clientes”, destaca ainda o banco.

No que diz respeito a depósitos, após uma perda registada ao longo do período da pandemia, o seu valor ficou estável nos 26 mil milhões de euros.

Já “os custos com pessoal totalizaram 58,7 mil milhões (-4,4% em termos homólogos), mantendo a evolução decrescente que se tem verificado nos últimos anos em resultado da recalibração contínua do modelo de negócio em prol do incremento da eficiência”. O que se traduziu na perda de 101 postos de trabalho para um total de 4557 trabalhadores. Em termos de balcões, o banco conta agora com 357 agências, menos 19 do que em Março do ano passado.

Este resultado surge depois de quatro exercícios consecutivos com resultados líquidos negativos superiores a mil milhões de euros, um registo sem precedentes na banca portuguesa. Estas são, também, as primeiras contas que não segregam as duas actividades do banco - a recorrente e o chamado legado do BES.