Ser amada ao menos um instante

Perguntem-lhes como se chamava a esposa de D. Pedro e vão ver quantos conhecem o seu nome. É que Constança não foi nada. A princesa invisível que nunca deixou de ser pó. A mulher traída pelo marido e pela amiga, mas de quem a história nunca se apiedou.

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Paulo Pimenta

Quando nos contou pela primeira vez a história de amor entre D. Pedro e D. Inês de Castro, o professor fez questão de nos avisar que estávamos perante um daqueles casos em que a história e o imaginário popular se tinham fundido de tal forma que até ele, por vezes, tinha dificuldade em perceber onde terminava uma coisa e começava a outra. Era um professor “à moda antiga”, que ainda nos fazia levantar quando entrava na sala e que não tinha nenhum pejo em puxar-nos as orelhas, para ver se o começávamos a “ouvir melhor”. E talvez por isso tenha sido estranho vê-lo relatar uma história de amor que metia traições, enredos, mortes e, acima de tudo, factos sobrenaturais.

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